Tem uma coisa que a água faz que o asfalto nunca vai conseguir: ela nivela. Na largada de uma travessia de águas abertas, não tem pace programado, não tem GPS ditando o ritmo, não tem corredor mais rápido abrindo espaço na ponta. Tem você, a correnteza, o vento e a decisão de continuar quando o corpo começa a negociar. Foi com essa verdade nas mãos que mais de 3 mil atletas de 21 estados e quatro países chegaram a Saquarema entre os dias 13 e 22 de março para o Aloha Spirit Grand Slam 2026. Dez dias que transformaram a Lagoa de Saquarema e a Praia de Itaúna no maior palco de esportes aquáticos do mundo — e que encerraram, não por acaso, na semana da Páscoa.
A coincidência com a Páscoa não é detalhe. Tanto a tradição cristã quanto a judaica carregam nessa época o mesmo simbolismo: travessia, renascimento, superação do que estava aprisionando. O atleta que cruza uma maratona aquática de 5 km ou enfrenta o Biathlon — combinação de natação em águas abertas com corrida — sabe no fundo do que isso se trata. Não é metáfora. É peso real na musculatura, é o momento em que a cabeça quer parar e o corpo precisa decidir. O Espírito Aloha — filosofia havaiana que define aloha como a coordenação entre mente e coração, entre gentileza, harmonia, humildade e perseverança — é exatamente o que acontece dentro de cada atleta nesses momentos. Saquarema, neste final de semana, foi um lugar de travessias em todos os sentidos.
O festival operou em três arenas distintas. Na Praia de Itaúna — a mesma que formou campeões mundiais de surfe — aconteceram as provas de Surf, Longboard e a nova Arena Skate, novidade de 2026. Na Lagoa de Saquarema, Patrimônio Natural do Estado do Rio, as águas calmas na aparência e traiçoeiras nas correntes foram o palco da Natação em Águas Abertas, da Maratona Aquática, do Biathlon, da Canoa Havaiana e do Stand Up Paddle. O Beach Tennis e a Corrida completaram o mapa — criando uma ponte direta entre o universo aquático e o running que define o perfil do atleta multimodal brasileiro de 2026.
O Biathlon merece destaque especial. A modalidade exige uma transição que poucos treinos conseguem simular com fidelidade: sair da água com o sistema cardiovascular no limite, converter para corrida em segundos e manter ritmo com a musculatura ainda queimando do nado. No Grand Slam, o trecho aquático usou as águas da Lagoa e a corrida cortou as areias e ruas do entorno de Itaúna — um percurso que pune quem sai rápido demais no nado e recompensa quem administra a transição com inteligência. A Canoa Havaiana, esporte com o DNA do evento, reuniu atletas nas categorias OC1, OC6 e Va’a Elite — e a tradicional largada no formato Le Mans, com todos os competidores alinhados na areia antes da buzina, entrega uma das imagens mais bonitas do esporte brasileiro. Ohana — família, no vocabulário havaiano — é o que você vê nesse momento: centenas de atletas lado a lado, cada um carregando sua própria história, prontos para entrar na mesma água.
Para quem ainda não viveu o Aloha Spirit por dentro, a explicação mais honesta é essa: você não vai só competir. Vai acordar cedo para yoga na areia, vai assistir a finais de surf enquanto espera sua largada, vai cruzar a linha de chegada e ouvir alguém que mal conhece gritar seu nome. É essa a força do Espírito Aloha que dá nome ao festival — a ideia havaiana de que aloha não é uma saudação, é uma forma de estar presente no mundo com gentileza e respeito. Quem foi a Saquarema nessa semana entendeu isso na prática. Planeje sua presença na próxima etapa em Paraty em junho
O grande destaque institucional de 2026 foi a estreia da categoria Elite Championship ASE — divisão fechada criada para reunir os melhores atletas do país na mesma raia, com premiação em dinheiro para os cinco primeiros colocados de cada etapa. É o movimento que o esporte aquático brasileiro precisava: criar ídolos, elevar o nível competitivo e dar ao atleta de alto rendimento um circuito à altura do seu preparo. A estreia nas águas de Itaúna foi avaliada com nota máxima pelos competidores — e o modelo deve se consolidar nas próximas etapas.
O circuito não para. Em junho, é Paraty que recebe o Aloha Spirit — e quem já conhece a cidade sabe que o festival vai ganhar um cenário de dar o queixo: centro histórico tombado pela UNESCO, mar de Paraty-Mirim, trilhas na Mata Atlântica e uma comunidade esportiva que esperou anos por esse retorno. Em agosto, Caraguatatuba entra no mapa, no litoral norte de São Paulo, com suas praias fechadas pela Serra do Mar e águas que entregam condições técnicas únicas para provas de fundo. Dois destinos, dois cenários completamente diferentes, a mesma filosofia: entrar na água, superar o que trava e sair do outro lado maior do que entrou. Mahalo, Saquarema. O Aloha segue em frente.
O melhor do Aloha Spirit ainda está por vir em 2026. Paraty e Caraguatatuba, etapas com datas e locais confirmados, esperam por você — e cada etapa é uma nova travessia, um novo capítulo, uma nova chance de descobrir o que a água revela sobre você. Acompanhe o calendário completo de esportes aquáticos e eventos de endurance aqui no entreesportes
Aloha Spirit Festival Saquarema 2026 — Grand Slam ✅
Encerrado Modalidades: Natação em Águas Abertas | Maratona Aquática | Biathlon | Canoa Havaiana | SUP | Surf | Longboard | Apneia | Beach Tennis | Corrida Data: 13 a 22 de março de 2026 Local: Praia de Itaúna e Lagoa de Saquarema – RJ
Aloha Spirit Festival Paraty 2026
Modalidades: Natação em Águas Abertas | Maratona Aquática | Biathlon | Canoa Havaiana | SUP | Surf | Longboard | Apneia | Beach Tennis | Corrida Data: 19 a 21 de junho de 2026 Local: Paraty – RJ


