IRONMAN 70.3 São Paulo 2026: a chuva mudou a prova, mas a decisão começou muito antes da largada
O IRONMAN 70.3 São Paulo terminou neste domingo com uma situação que todo triatleta conhece: o planejamento chega à largada intacto, mas a prova decide quanto dele continuará de pé.
Na sexta edição da prova na capital, cerca de 1.800 atletas encararam 1,9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21,1 km de corrida dentro e no entorno da Cidade Universitária da USP.
A chuva entrou no cenário e transformou uma prova desenhada para velocidade em um exercício de gestão de esforço, equipamento e tomada de decisão.
Fernando Toldi venceu entre os profissionais em 3h48min21s, seguido por André Lopes, com 3h49min46s, e Reinaldo Colucci, com 3h50min13s.
No feminino, Rachel Olson venceu em 4h23min54s, Mariana Borges de Andrade foi segunda em 4h33min18s e Luma Guillen terminou em terceiro, com 4h36min31s.
A prova parecia rápida. A chuva lembrou que velocidade também precisa ser administrada
O desenho do 70.3 São Paulo favorece ritmo sustentado. A natação acontece na Raia Olímpica, o ciclismo utiliza a Marginal Pinheiros e a corrida retorna para a Cidade Universitária. A organização descreve justamente essa combinação como uma das características da prova.
Em condições normais, isso cria uma oportunidade para o atleta encontrar ritmo e permanecer nele.
Com chuva, a equação muda.
O problema deixa de ser apenas produzir potência na bicicleta. Passa a ser produzir potência mantendo controle, leitura do piso, segurança nas curvas e margem para a corrida.
É uma diferença pequena no papel e enorme depois de 90 km.
O atleta que transforma um trecho rápido em uma disputa contra o relógio pode ganhar segundos na bike e entregar minutos na corrida.
É por isso que o 70.3 não deve ser lido como três provas consecutivas.
É uma única prova de gestão de esforço.
Os 90 km da Marginal continuam sendo o ponto onde a estratégia pode sair do controle
A bicicleta é provavelmente o segmento que mais convida o triatleta a cometer um erro em São Paulo.
A Marginal Pinheiros permite velocidade. E velocidade é justamente o problema quando o atleta confunde facilidade de deslocamento com esforço barato.
O percurso predominantemente plano favorece uma potência mais constante, mas também reduz as interrupções que naturalmente obrigariam o atleta a baixar o ritmo.
Isso muda a pergunta.
Não é quanto você consegue pedalar nos primeiros 30 km.
É quanto pode produzir durante os 90 km sem comprometer os 21,1 km seguintes.
O preview do entreesportes sobre o 70.3 São Paulo já apontava essa característica antes da largada: o vento e a possibilidade de sustentar velocidade na Marginal precisavam ser tratados como parte da estratégia, não como detalhe do percurso.
Depois da prova, essa leitura ganha outra dimensão.
O que parecia oportunidade de velocidade também era uma oportunidade de gastar mais do que deveria.
A roda precisa ajudar a sustentar velocidade, não aumentar o esforço
É nesse cenário que uma roda de perfil aero pode entrar como parte da preparação. A Lún Hyper 3 D67 combina 60 mm de perfil na dianteira e 68 mm na traseira, com 1.450 g no par, raios de carbono de 5,2 mm e largura interna de 23 mm.
A proposta é favorecer a manutenção da velocidade e a eficiência aerodinâmica em terrenos rápidos e planos, exatamente o tipo de ambiente encontrado no ciclismo do 70.3 São Paulo.
Mas o equipamento não corrige um pacing mal executado. Uma roda mais eficiente pode facilitar a manutenção do ritmo; quem decide quanto desse potencial será transformado em velocidade ainda é o atleta.
Para uma prova como São Paulo, a pergunta deixa de ser apenas quanto a bicicleta consegue entregar. Passa a ser quanto dessa velocidade pode ser sustentada sem comprometer a corrida.
A corrida começa na bike e São Paulo mostrou isso novamente
Os 21,1 km finais acontecem dentro da USP.
São três voltas, um desenho que ajuda o atleta a reconhecer rapidamente o circuito e organizar a hidratação e a alimentação ao longo da corrida.
Mas existe uma condição que nenhum mapa mostra, o atleta chega ali depois de nadar e pedalar.
É por isso que o comportamento da corrida não pode ser analisado isoladamente e é esse dado é mais interessante do que simplesmente olhar o tempo final.
No 70.3, a corrida é onde a estratégia construída nos 111,? km anteriores começa a aparecer.

E é justamente por isso que o guia de triathlon do entreesportes trata natação, ciclismo e corrida como estímulos diferentes que precisam ser encadeados.
O objetivo não é terminar bem cada modalidade isoladamente. É chegar à seguinte ainda capaz de executar.
Equipamento rápido não resolve uma estratégia mal distribuída
O 70.3 São Paulo também coloca o equipamento dentro dessa mesma lógica.
Na bike, os 90 km rápidos tornam aerodinâmica relevante.
Mas chuva, vento e controle também entram na equação, uma configuração mais agressiva só faz sentido se o atleta consegue permanecer confortável e previsível durante todo o segmento.
Na corrida, a discussão muda.
Depois de aproximadamente quatro horas de esforço para os atletas da frente, o tênis precisa funcionar sobre uma musculatura que já vem de 1,9 km de natação e 90 km de ciclismo.
Foi por isso que o Corre Supra 2 analisado no contexto da preparação entrou na cobertura pré-prova: não pela promessa de ser “o melhor”, mas pela possibilidade de oferecer conforto e previsibilidade para uma corrida que começa com a perna já carregada.
A decisão continua sendo individual.
O equipamento precisa chegar testado.
A transição não é intervalo. É parte da prova
Existe outro ponto que o resultado não mostra diretamente: quanto tempo e quanta energia cada atleta deixou nas transições.
T1 e T2 não são pausas.
São momentos em que o atleta precisa executar uma sequência que deveria estar automatizada: sair da água, localizar equipamento, vestir, montar, desmontar, trocar o necessário e entrar na próxima modalidade.
O entreesportes já tratou dessa questão ao analisar o brick training: correr depois de pedalar não é simplesmente correr cansado. É uma habilidade específica que precisa ser treinada.
No 70.3, essa diferença aparece em escala maior.
Você não está treinando para correr 21,1 km.
Está treinando para correr 21,1 km depois de 1,9 km de natação e 90 km de ciclismo.

Nutrição não aparece no resultado, mas aparece quando ela falha
O mesmo vale para alimentação e hidratação.
O atleta não precisa descobrir durante a prova quanto consegue consumir.
Precisa chegar sabendo o que tolera, em que frequência vai ingerir e como isso conversa com o esforço da bicicleta e da corrida.
No 70.3, a bike é também uma janela para preparar a corrida.
Comer e beber ali não significa apenas sustentar os 90 km.
Significa chegar à T2 com condições fisiológicas para correr.
A chuva ainda acrescenta uma variável: a percepção de sede pode não acompanhar a necessidade de reposição da mesma maneira que em um dia quente. Por isso, o protocolo precisa ser definido no treinamento, considerando condições diferentes, e não improvisado pelo relógio durante a prova.
O gel também precisa estar testado
Dentro dessa estratégia, o Energy Pro Gel Black da Sudract pode entrar como uma opção de carboidrato para os treinos e a prova. Cada sachê de 30 g fornece 20 g de carboidratos, além de 75 mg de cafeína, 400 mg de taurina, sódio e potássio
A presença da cafeína é justamente o ponto que exige planejamento.
Não basta levar o gel para a prova: o atleta precisa testar durante os treinos se tolera a combinação e definir em que momento ela faz sentido dentro da estratégia de esforço.
Em um 70.3, o gel não deve aparecer como resposta à queda de rendimento, ele precisa fazer parte de um protocolo já testado para sustentar a bike e preservar a capacidade de correr depois.
São Paulo entrega uma prova diferente para cada segmento
A força do 70.3 São Paulo está justamente nessa mudança de ambiente.
Você começa dentro da Raia Olímpica.
Sai para a Marginal Pinheiros.
Volta para a USP.
O atleta precisa mudar a leitura três vezes sem perder a continuidade da prova.
A natação pede posicionamento e controle.
A bike pede potência sustentável.
A corrida pede durabilidade.
E a transição entre elas exige que o corpo saiba mudar de modalidade sem interpretar cada mudança como um novo começo.
É uma característica que já aparecia na análise anterior do entreesportes sobre a prova. O percurso não é tecnicamente agressivo em altimetria, mas isso não significa que seja simples.
Em uma prova rápida, a margem para errar pode ser justamente menor.
O que o 70.3 São Paulo deixa para quem está treinando para o próximo
A edição de 2026 deixa uma leitura objetiva para quem pretende disputar um 70.3:
não basta aumentar volume.
É preciso aprender a administrar o volume.
Treinar a saída da água.
Treinar a intensidade da bike sem transformar o treino em teste de FTP a cada sessão.
Treinar a corrida depois do ciclismo.
Treinar transições.
Testar alimentação.
Testar equipamento.
E, principalmente, treinar a capacidade de não responder imediatamente a cada estímulo da prova.
A Marginal oferece velocidade.
A chuva oferece incerteza.
A corrida cobra o que ficou para trás.
O atleta precisa decidir quanto de cada coisa aceita levar para o próximo segmento.
São Paulo também faz parte da prova
Para quem viajou para competir, a Cidade Universitária concentra boa parte da experiência do 70.3.
A própria estrutura da prova utiliza a USP para largada, transição e chegada, enquanto a programação e a IRONMAN Village ficam integradas ao campus.
Mas São Paulo começa muito além da USP.
A capital tem uma relação antiga com o endurance e oferece uma quantidade incomum de espaços utilizados por corredores, ciclistas e triatletas durante todo o ano.
O próprio entreesportes já mostrou, na matéria São Paulo não é só asfalto: o que a capital cobra de quem treina e compete, como altitude, relevo, vento e as condições atmosféricas interferem na forma como o atleta treina e compete na cidade.
No 70.3 São Paulo, essa leitura precisa ser adaptada ao percurso específico: a Marginal Pinheiros reduz as interrupções e cria uma oportunidade real de sustentar velocidade, mas também aumenta o risco de transformar facilidade de deslocamento em esforço acima do planejado.
Para quem fica alguns dias depois da competição, vale conhecer a cidade sem transformar recuperação em roteiro turístico: caminhar, comer bem, descansar e conhecer regiões próximas à USP podem fazer mais sentido do que tentar encaixar dez atrações em dois dias.
São Paulo tem escala suficiente para isso.
Mas depois de 111,? km de 70.3, talvez a melhor decisão seja exatamente não tentar fazer tudo.
entreesportes.
| Data | 20 de setembro de 2026 |
| Local | Cidade Universitária · USP · São Paulo |
| Distância | 1,9 km natação · 90 km ciclismo · 21,1 km corrida |
| Natação | Raia Olímpica da USP |
| Ciclismo | 90 km · Marginal Pinheiros e vias de São Paulo |
| Corrida | 21,1 km · Cidade Universitária da USP |
| Largada | Elite masculina 5h50 · Elite feminina 5h55 |
| Transição | CEPEUSP · pista de atletismo |
| Resultados · Elite masculino | |
| 1 · Fernando Toldi · BRA · 3h48min21s | |
| Natação 22:59 · T1 2:58 · Ciclismo 2:08:20 · T2 1:24 · Corrida 1:13:26 | |
| 2 · André Lopes · BRA · 3h49min46s | |
| Natação 23:31 · T1 2:56 · Ciclismo 2:07:58 · T2 1:42 · Corrida 1:14:35 | |
| 3 · Reinaldo Colucci · BRA · 3h50min13s | |
| Natação 23:36 · T1 2:49 · Ciclismo 2:04:37 · T2 1:52 · Corrida 1:18:40 | |
| 4 · Yago Rodrigues Santos Alves · BRA · 3h50min56s | |
| Natação 23:22 · T1 2:49 · Ciclismo 2:08:08 · T2 1:47 · Corrida 1:15:30 | |
| 5 · João Teixeira Alvares Neto · BRA · 3h51min11s | |
| Natação 23:23 · T1 2:49 · Ciclismo 2:08:10 · T2 1:49 · Corrida 1:15:40 | |
| Resultados · Elite feminino | |
| 1 · Rachel Olson · EUA · 4h23min54s | |
| Natação 25:28 · T1 2:58 · Ciclismo 2:24:42 · T2 1:24 · Corrida 1:29:24 | |
| 2 · Mariana Borges de Andrade · BRA · 4h33min18s | |
| Natação 28:48 · T1 2:56 · Ciclismo 2:23:41 · T2 1:42 · Corrida 1:36:13 | |
| 3 · Luma Maruci Guillen · BRA · 4h36min31s | |
| Natação 25:49 · T1 2:49 · Ciclismo 2:35:14 · T2 1:52 · Corrida 1:30:50 | |
| 4 · Mikelle Coelho · BRA · 4h40min01s | |
| Natação 30:01 · T1 3:37 · Ciclismo 2:34:23 · T2 1:24 · Corrida 1:30:38 | |
| 5ª colocação: não houve atleta classificada. Romina Biagioli e Bruna Stolf não completaram a prova (DNF). | |
Se você quer transformar cada prova em aprendizado para a próxima, o Clube entreesportes no Strava é onde essa conversa continua; dentro do treino, não apenas depois da chegada.
As referências e indicações de produtos apresentadas nesta matéria têm finalidade exclusivamente editorial e informativa. A inclusão de suplementos, marcas ou produtos não constitui prescrição nutricional, recomendação médica ou indicação individual de uso. A estratégia de suplementação deve considerar modalidade, duração e intensidade do esforço, alimentação, objetivos, tolerância individual e condições específicas de cada atleta. Em caso de dúvida, uso de medicamentos ou necessidade de ajuste individual, procure orientação de nutricionista ou médico habilitado.
