A cidade mais alta do Brasil não precisa se vender. Quem já subiu a Serra da Mantiqueira e chegou ali pela primeira vez sabe: o ar muda, a temperatura cai, a velocidade da vida diminui e você entende por que essa serra formou gerações de atletas que voltam todo ano não pela medalha, mas pelo que a montanha faz com a cabeça quando a cabeça para de pensar e o corpo assume o comando. Nos dias 10 e 11 de abril, o Pico do Itapeva recebe a KTR Campos do Jordão 2026 com seis distâncias, do 7k ao 80k Ultra e uma assinatura que nenhuma outra prova brasileira tem: todos os percursos chegam em subida.
Campos do Jordão não é cenário — é personagem
Encaixada na Serra da Mantiqueira a quase 2.000 metros de altitude, Campos do Jordão é a cidade mais alta do Brasil e carrega esse título com a naturalidade de quem não precisa provar nada. A arquitetura enxaimel do Capivari, as araucárias que dominam a paisagem, os trilhos do bondinho que cortam a cidade desde 1924 e o frio que mesmo em abril insiste em aparecer antes do sol nascer, tudo ali convida a uma relação diferente com o esporte. Não é a corrida que você faz para treinar. É a corrida que você faz para sentir. A região foi ocupada por imigrantes alemães e suíços no início do século XX, e a influência europeia ainda está nas ruas, nos restaurantes, nos cafés que abrem cedo e fecham tarde no ritmo da montanha. Quem chega na quinta para a retirada de kit na Concha Acústica do Parque do Capivari tem a tarde inteira para caminhar pelo centro, tomar um chocolate quente nas confeitarias da Avenida Macedo Soares e entrar na largada do dia seguinte com a cabeça no lugar certo.
A Mantiqueira que você vai enfrentar
Abril em Campos do Jordão é transição — e a Mantiqueira não avisa quando muda de humor. Manhãs que começam entre 8°C e 12°C podem evoluir para tardes de 20°C com sol direto. A chuva pode aparecer sem negociação, e em trilha técnica molhada a quase 2.000 metros a conta é imediata: aderência zero, tempo perdido, risco real. Quem acha que equipamento obrigatório é burocracia nunca ficou parado numa trilha sem saída com o frio descendo rápido e o corpo parando de responder.
O cobertor de emergência aluminizado está na lista da prova por uma razão muito concreta: hipotermia em altitude não avisa antes de chegar. Desenvolvido em polietileno aluminizado, ele mantém o calor interno, reflete o calor externo e pesa praticamente nada na mochila, mas na hora em que você precisar, ele é a diferença entre esperar o resgate com segurança ou virar uma ocorrência de emergência no meio da Mantiqueira. Não sai pra trilha sem um. Garanta o seu aqui antes de chegar em Campos.
O que o Pico do Itapeva vai te pedir
A arena da prova fica no Pico do Itapeva, a menos de 3km por estrada de terra após o lago do Parque do Itapeva, numa propriedade particular de conservação cujo mapa só é liberado nos dias que antecedem a largada. Chegar lá já é parte do desafio. O 50k larga às 5h, com o vale ainda no escuro e o frio mais pesado da madrugada. O 80k larga à meia-noite da sexta. Horas de escuridão, altitude e temperatura em queda antes do primeiro amanhecer sobre a Serra. Quem acha que trail é sobre paisagem ainda não correu no escuro a 2.000 metros com a lanterna na cabeça e o GPS na mão. Como já aprofundamos em nossa análise sobre nutrição e suplementação no endurance: “o uso correto de carboidratos, eletrólitos e nitratos pode definir o resultado nos quilômetros finais” e em altitude, essa janela se fecha mais rápido do que qualquer planilha avisa.
A chegada que ninguém esquece
Toda prova de trail tem um momento que define a memória. Na KTR Campos, esse momento é a última subida. Enquanto a maioria das provas brasileiras oferece uma descida de presente nos metros finais a gravidade trabalhando do seu lado quando o corpo já pediu para parar, o Pico do Itapeva cobra o preço em aclive. A linha de chegada fica no alto, com o Vale do Paraíba inteiro no horizonte e a Serra do Mar ao fundo. É o tipo de vista que só existe para quem subiu para vê-la. E quando você cruzar aquela linha com as pernas queimando e o peito cheio, vai entender por que os atletas que conhecem Campos do Jordão voltam todo ano, não pelo troféu, mas pelo que a montanha devolve pra quem teve coragem de subir até o fim.
Chegar lá exige o equipamento certo e o tênis é parte dessa decisão. Como já mostramos aqui no entreesportes: “no trail moderno, o atleta de montanha já não procura apenas durabilidade, mas eficiência real de passada, segurança em terrenos instáveis e confiança quando a técnica começa a pesar mais que o ritmo.” É exatamente o que a KTR exige e o que o Olympikus Corre Trilha 3, lançado essa semana em São Paulo, foi construído para entregar nesse terreno.
A montanha vai te cobrar. E te devolver muito mais.
A KTR Campos do Jordão não é para quem quer só terminar uma prova. É para quem quer chegar diferente do outro lado, com mais histórias, mais paisagens gravadas na memória e uma relação mais honesta com os próprios limites. E quem prova uma etapa dificilmente para em uma. O circuito ainda tem cinco paradas em 2026: o Desafio 28 Praias Costa Norte, em 25 de abril em Ubatuba, inscrições abertas ,onde a montanha troca a névoa pela maresia e 28 km de trilha entre praias e falésias do litoral norte paulista testam o atleta de um jeito que nenhum perfil altimétrico consegue descrever. A KTR Ultra Serra da Canastra, de 21 a 23 de maio em Delfinópolis, Minas Gerais, 50kn e 100 km entre as nascentes do Rio São Francisco, cerrado aberto e um silêncio de fazenda que só quem correu lá conhece, já está com vagas esgotadas, o que diz tudo sobre o nível do circuito. Em outubro, o Desafio 28 Praias Costa Central em 3 de outubro, e em novembro a KTR Ilhabela em 7 de novembro, onde o trail desce para o mar com costões rochosos e Mata Atlântica densa no litoral norte de São Paulo. Encerrando o ano, o Desafio 28 Praias Lua em 5 de dezembro, as últimas trilhas de 2026 com a lua cheia sobre o litoral paulista. Cinco ambientes, uma mesma filosofia: chegar preparado ou não chegar. Inscreva-se pelo link oficial e garanta a sua vaga.
entreesportes.
FICHA TÉCNICA
| Nome oficial | KTR Campos do Jordão 2026 |
| Data | 10 e 11 de abril de 2026 |
| Local | Parque do Capivari (Concha Acústica) — Campos do Jordão, SP |
| Arena da prova | Pico do Itapeva — ~2.000m de altitude |
| Distâncias | 7k · 12k · 21k · 30k · 50k · 80k |
| Largada 80k | 23h — dia 10/04 (Praça São Benedito, Capivari) |
| Largada 50k | 5h — dia 11/04 |
| Largada 30k | 6h30 · 21k: 7h30 · 12k: 9h · 7k: 10h |
| Retirada de kit | Qui 09/04 das 17h às 22h · Sex 10/04 das 15h às 22h |
| Congresso técnico | 10/04 — 17h (80k) · 19h (21, 30 e 50k) · 20h15 (7 e 12k) |
| Premiação | 11/04 às 20h — Capivari |
| Organização | XKR Sports |
| Inscrições | xkrsports.com.br/ktrcampos |
| Perfil do percurso | Trilhas técnicas em altitude — chegada em subida em todas as distâncias |
| Clima esperado | 8°C a 20°C — variabilidade alta, chuva possível |
| Altitude | ~2.000 metros |


