Ultramaratona 24hs de Campinas: o desafio é administrar as horas
A prova começa quando parar deixa de ser uma decisão simples
Em uma ultramaratona de 24 horas, distância não é a única variável que cresce. A cada hora, aumenta o custo de uma decisão errada tomada anteriormente.
Na Ultramaratona 24hs de Campinas, o atleta poderá escolher entre 3, 6, 12 ou 24 horas, sozinho ou em revezamento, mas o princípio é o mesmo: o objetivo não é correr rápido por alguns quilômetros; é preservar a capacidade de continuar executando quando a prova já estiver muito além daquilo que o corpo considera confortável.
O circuito de 2.735 metros e aproximadamente 50 metros de altimetria parece simples no papel. Repeti-lo durante horas é que muda completamente a equação.
Na ultra, o circuito vira laboratório

O desafio é justamente o contrário: o percurso é praticamente plano e repetitivo. Isso tira do atleta algumas desculpas externas e coloca a gestão de esforço no centro da estratégia. E há um contexto maior acontecendo em Campinas: a Ultramaratona de 24 horas integra a programação da Virada Esportiva 2026, que transforma a cidade em uma grande arena esportiva entre 28 e 30 de agosto, com atividades distribuídas por diferentes regiões. A Ultra Runner Eventos oferece modalidades de 3, 6, 12 e 24 horas, além dos formatos de 24 horas em Dupla e Quarteto.
A largada está programada para as 10h de 29 de agosto, com as provas de 24 horas terminando às 10h do dia seguinte. Mas, para quem está dentro do circuito, toda essa movimentação da cidade vira apenas pano de fundo: depois da primeira volta, a disputa volta a ser contra aquilo que o ultramaratonista trouxe para a prova, ritmo, estratégia, energia e capacidade de continuar.
Pace de ultra não é o pace da maratona
O relógio pode mostrar o mesmo número durante alguns quilômetros, mas a fisiologia não permanece igual durante 6, 12 ou 24 horas.
Na Ultramaratona de Campinas, o Garmin Forerunner 965 pode ser configurado para funcionar como uma central de controle da prova.
O primeiro passo é selecionar o perfil Ultra Run, disponível no próprio relógio. Nesse modo, o atleta pode registrar voltas e controlar os períodos de descanso, inclusive configurando o Auto Rest para reconhecer automaticamente quando ele deixa de correr ou optar pelo controle manual.
Na prática, isso permite organizar a prova em blocos.
Em vez de olhar o relógio a cada volta para perguntar “estou rápido?”, o atleta pode acompanhar pace, frequência cardíaca, distância e tempo decorrido em telas de dados previamente configuradas.
Para as primeiras horas, a informação mais importante pode ser justamente a que impede o excesso: se a frequência cardíaca sobe progressivamente mantendo o mesmo ritmo, é um sinal para reavaliar a intensidade antes que o custo fisiológico apareça mais tarde.
O relógio não decide pelo atleta; ele fornece o dado para que o atleta decida.
É nesse ponto que um relógio como o Garmin Forerunner 965 pode deixar de ser apenas um registrador de distância e pace e passar a funcionar como ferramenta de gestão: GPS multibanda, frequência cardíaca, métricas de treino e diferentes campos de dados permitem acompanhar a execução enquanto o atleta precisa decidir se mantém, reduz ou reorganiza o esforço.
A função de lap também ganha outro significado numa prova de circuito.
Ao passar pelo ponto de referência, o corredor pode marcar a volta e, quando precisar interromper a corrida para alimentação, hidratação ou descanso, utilizar o recurso de descanso do perfil Ultra Run.
O Forerunner 965 permite inclusive configurar quando o período de descanso começa e qual ritmo deve ser atingido para encerrá-lo. Isso transforma uma parada que poderia parecer simplesmente “tempo perdido” em uma variável mensurável da estratégia.
Para quem quer entender melhor qual nível de informação faz sentido para seu estágio de corrida, o entreesportes já comparou Garmin Forerunner 55, 165 e 965 em uma análise específica sobre a relação entre tecnologia e maturidade esportiva. Garmin Forerunner 55, 165 ou 965: qual relógio GPS faz sentido para o seu nível de corrida?
E, para o atleta que já utiliza o relógio como instrumento de performance, o Garmin Forerunner 965 entra como uma opção coerente para provas em que o dado precisa continuar disponível muito depois de a estratégia inicial ter deixado de funciona.
Existe ainda uma decisão importante para quem pretende permanecer 24 horas no Parque Portugal: a configuração do GPS.
Segundo o manual da Garmin, o Forerunner 965 chega a 31 horas no modo somente GPS com frequência cardíaca no pulso, mas cai para até 19 horas com GPS + Multiband; no modo UltraTrac, chega a até 34 horas. Para uma prova de 24 horas, portanto, não basta perguntar se a bateria “dura uma ultra”.
É preciso definir quais dados realmente precisam permanecer ativos durante toda a prova.
A estratégia muda quando o relógio deixa de ser o objetivo
O atleta de 24 horas precisa pensar em blocos, não em uma única corrida contínua. Correr, caminhar em momentos planejados, alimentar-se, hidratar-se e controlar pequenas pausas podem fazer parte da estratégia.
O próprio regulamento da prova prevê liberdade de ritmo e de paradas para apoio e descanso, ao mesmo tempo em que estabelece que o atleta não deve deixar o recinto da prova sem comunicar a organização. Isso é importante: parar não significa necessariamente abandonar a estratégia.
Em uma ultra, uma parada planejada pode custar menos do que insistir alguns minutos além do limite fisiológico e transformar uma pequena fadiga em uma crise de execução.
A alimentação também precisa acompanhar essa lógica: para atletas que têm dificuldade de atingir a demanda energética ao longo de muitas horas…
um produto como o Mass Titanium 17.500 da Max Titanium pode ser considerado dentro do planejamento nutricional, principalmente fora dos momentos de maior intensidade ou como estratégia de suporte energético, desde que sua tolerância gastrointestinal e sua utilização já tenham sido testadas nos treinos.
O calor das primeiras horas pode ser uma dívida para a madrugada
A previsão atual para Campinas indica máxima de aproximadamente 34°C no sábado e 35°C no domingo, sem chuva prevista, com umidade mínima na casa dos 33%.
Para quem disputa 3 ou 6 horas, isso já interfere diretamente na percepção de esforço e na reposição de líquidos.
Para quem permanece até domingo, a questão é ainda mais complexa: o atleta precisa administrar o calor da tarde sabendo que continuará correndo durante a noite, quando a temperatura cai, mas a perda acumulada de líquidos e eletrólitos não desaparece com ela.
É nesse ponto que a hidratação precisa deixar de ser uma decisão baseada apenas em sede.
O Isotonic Pro Drink da Sudract, por exemplo, pode entrar como parte da estratégia de reposição de líquidos, carboidratos e eletrólitos durante esforços prolongados, desde que a concentração e a quantidade consumida estejam adequadas ao planejamento individual do atleta.
O verdadeiro adversário é a deterioração da decisão
A parte mais difícil de uma prova de 24 horas não necessariamente acontece quando as pernas doem.
Ela acontece quando o atleta cansado começa a tomar decisões piores: acelera porque está se sentindo bem, atrasa a alimentação porque não está com fome, bebe apenas quando percebe sede, ignora uma alteração mecânica da passada ou transforma uma pausa planejada em uma pausa longa demais.
O circuito de 2.735 metros potencializa isso. São voltas suficientes para que a estratégia seja constantemente confrontada pelo relógio.
Por isso, a melhor estratégia não é necessariamente a que produz a maior distância nas primeiras horas.
É a que preserva a capacidade de tomar boas decisões quando a prova já entrou em sua segunda metade.
O ultramaratonista experiente não precisa provar que consegue correr forte às 11h. Precisa descobrir quanto consegue entregar às 2h, 4h ou 6h da manhã sem ter destruído o plano nas primeiras horas.
Campinas também testa a logística
Uma prova que atravessa a noite exige pensar além do tênis e do relógio.
O atleta precisa chegar ao Parque Portugal sabendo onde estarão seus recursos, como organizar alimentação, roupa para a mudança de temperatura, iluminação e tudo aquilo que fará parte das horas de permanência no circuito.
A própria organização informa opções de hospedagem e estrutura de apoio logístico para os participantes, reforçando que uma prova dessa duração começa muito antes da largada.
Nas modalidades de Dupla e Quarteto, a lógica muda: o desafio deixa de ser exclusivamente fisiológico e passa a envolver estratégia de equipe, duração dos turnos, recuperação entre entradas no circuito e capacidade de cada atleta entregar sua parcela sem comprometer o conjunto.
A ultra não premia quem corre mais cedo; premia quem consegue continuar
É possível olhar para a Ultramaratona 24hs de Campinas e enxergar apenas uma disputa por quilômetros.
O atleta experiente deveria olhar de outra maneira.
Em um circuito praticamente plano, o resultado será construído pela soma de decisões pequenas: intensidade inicial, alimentação, hidratação, pausas, controle térmico, mecânica de corrida e capacidade de reconhecer o momento em que insistir deixa de ser performance e passa a ser desperdício fisiológico.
É por isso que uma ultramaratona de 24 horas é tão diferente de simplesmente correr uma distância muito longa. A distância é consequência.
O verdadeiro desafio é administrar a capacidade de continuar produzindo movimento por um período em que sono, temperatura, energia e percepção de esforço começam a disputar o controle da prova.
O relógio mede a distância. A estratégia determina quanto dela ainda está disponível
A Ultramaratona 24hs de Campinas coloca o atleta diante de uma pergunta mais interessante do que “quantos quilômetros consigo correr?”.
A pergunta é: quanto da minha capacidade consigo preservar para quando a maioria das decisões já estiver sendo tomada sob fadiga?
Para o ultramaratonista, performance como estilo de vida não significa transformar toda sessão em teste de limite. Significa aprender a administrar o limite para que ele possa ser deslocado na próxima vez.
Se a próxima ultra está no seu calendário, não monte sua estratégia apenas pela distância.
Monte-a pela capacidade que você quer ainda ter quando as horas começarem a pesar.
entreesportes.
| Data | 29 e 30 de agosto de 2026 |
| Local | Parque Portugal · Lagoa do Taquaral · Campinas/SP |
| Largada | 29 de agosto · 10h |
| Percurso | Circuito de 2.735 km · praticamente plano |
| Modalidades | 3h · 6h · 12h · 24h · Dupla · Quarteto |
| Organização | Ultra Runner Eventos |
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Observação: As informações apresentadas nesta matéria foram verificadas em 28/08/2026. Data, programação, percurso e condições podem sofrer alterações por parte da organização ou em função das condições meteorológicas.
