Comrades Marathon 2026 é Up Run — a 50ª subida de Durban a Pietermaritzburg começa a se decidir antes do km 35

Comrades Marathon 2026 é Up Run — a 50ª subida de Durban a Pietermaritzburg começa a se decidir antes do km 35

Maratona

05h00 de domingo, ainda escuro em Durban. O ar tem aquela temperatura seca de inverno sul-africano, a que faz o atleta tremer parado e agradecer o tremor um quilômetro depois. Mais de 21 mil corredores se amontoam na Mahatma Gandhi Road, em frente à Durban City Hall. Toca o canto do galo gravado, depois “Chariots of Fire”, e o primeiro grupo sai. Às 05h15, o segundo. Às 05h30, o terceiro. Pela frente, 85,777km e um detalhe que muda tudo em relação ao ano passado: o sentido é de subida.

Não é mais uma ultramaratona no calendário. É a Comrades e em 2026 ela sobe.

A Comrades Marathon chega à 99ª edição geral no domingo, 14 de junho, e marca a 50ª vez que o percurso roda no sentido Up Run, de Durban até Pietermaritzburg. A prova alterna direção a cada ano, Down Run quando desce da capital provincial até o litoral, Up Run quando sobe do litoral até o planalto interior e essa alternância não é só geográfica. Muda o tipo de atleta favorecido, muda a estratégia de prova e muda, principalmente, em que momento da prova o corredor amador sente a “parede”. No Down Run, o corpo sofre no impacto repetido da descida. No Up Run, sofre na demanda de potência da subida e isso começa cedo.

É exatamente nesse “começa cedo” que mora o primeiro dado técnico que separa quem termina bem de quem só termina. A maior parte do ganho de elevação da prova, mais de 1.800 metros no total, está concentrada nos primeiros 35km, num trecho que reúne quatro das cinco colinas batizadas de “Big Five”: Cowies Hill, Fields Hill, Botha’s Hill e Inchanga, nessa ordem. 

O ponto mais alto de toda a prova fica em Umlaas Road, por volta da metade do percurso, e marca a transição psicológica da Comrades: dali em diante, o atleta acredita que “o pior já passou”. Só que o percurso reserva uma armadilha clássica do Up Run, uma descida até a região de Ashburton, que parece alívio, mas devolve o corredor à base da última grande subida da prova: Polly Shortts, nos últimos 10km, a mais curta e mais íngreme das Big Five. Quem gastou reserva de glicogênio nas subidas do início e relaxou demais na descida para Ashburton encontra em Polly Shortts a subida que decide a prova de verdade,  não a largada, não Inchanga, mas os últimos 10km. Como já discutimos em: Hipercalórico no Endurance: quando comer não é suficiente  é exatamente nesse trecho final que o déficit calórico cobra a conta, na forma de cãibra ou perda total de ritmo.

Provas e calendário · Comrades 2026 (Up Run)

Perfil de elevação — Durban → Pietermaritzburg, 85,777km e os "Big Five"

Perfil de elevação Big Five (subidas) Ponto mais alto — Umlaas Road Descida de Ashburton
900m 700m 500m 300m 100m 0m Cowies Hill ~km 11–14 Fields Hill ~km 17–20 Botha's Hill ~km 31–34 Inchanga ~km 38–45 Polly Shortts ~km 78–82 Umlaas Road ponto mais alto · ~km 56 Ashburton descida antes de Polly Shortts Durban largada · km 0 Pietermaritzburg chegada · km 85,777

Distância oficial

85,777 km

Ganho de elevação

+1.800 m

Ponto mais alto

~825 m

Big Five (subidas)

5

Fontes: comrades.com — marcos oficiais de percurso (Cowies Hill, Fields Hill, Botha's Hill, Inchanga, Polly Shortts, Umlaas Road, Ashburton). Perfil estilizado para destacar transições de relevo entre Durban e Pietermaritzburg — não substitui o GPX oficial de prova.

Na prática, isso muda completamente a lógica de equipamento para quem corre o Up Run pela primeira vez. O problema não é achar um tênis rápido — é achar um tênis que aguente rampa contínua nos primeiros 35km, sustente a descida técnica até Ashburton e ainda responda na subida final de Polly Shortts, sem que o pé pague a conta em forma de bolha, fascite ou queda de eficiência lá pelo km 70. Placa de carbono rígida demais castiga o tornozelo no terreno irregular; amortecimento mole demais rouba resposta justamente na subida. 

É nesse ponto de equilíbrio que entra o Corre Supra 2, da Olympikus: a placa CARBON G, com fibras contínuas bidirecionais revestidas de grafeno, entrega rigidez e eficiência de impulsão nas subidas, enquanto a entressola NT-X PRO 2.0, em PEBA expandido com nitrogênio, absorve o impacto repetido das descidas sem perder resposta. Com 204g (tam. 40) e drop de 6mm em geometria Forefoot Rocker, o tênis favorece a transição rápida de pisada entre rampa, platô e descida, o tipo de variação que o Up Run impõe o tempo todo. Para quem está fechando o kit de prova, vale conferir a análise completa do Corre Supra 2 no entreesportes pro antes de decidir.

O primeiro super tênis criado no Brasil ganhou uma versão ainda melhor. O Corre Supra 2 é a escolha ideal para quem não tem medo de chegar ao limite - e ir além dele.
O primeiro super tênis criado no Brasil ganhou uma versão ainda melhor. O Corre Supra 2 é a escolha ideal para quem não tem medo de chegar ao limite - e ir além dele.

A estratégia de hidratação e gel também muda no Up Run. O atleta precisa concentrar consumo de carboidrato justamente no trecho de maior gasto energético, entre o km 10 e o km 45, e não guardar reserva para o final como faria numa maratona convencional.

O elemento mais decisivo da edição 2026, porém, não está no relevo está no relógio. A organização mudou o sistema de largada pela primeira vez em décadas: em vez dos dois grupos tradicionais, agora são três, com saídas às 05h00, 05h15 e 05h30. Cada grupo tem 12 horas de prova, contadas do seu próprio tiro de largada até o tapete de chegada, o que significa que o corte final da prova passa para 17h30. Ao longo do percurso, o sistema de corte por semáforo (verde, âmbar, vermelho) substitui o antigo modelo binário de “passou ou não passou”: o atleta em âmbar ainda está na prova, mas precisa reagir, e o vermelho tira do percurso. Para quem mira o “bronze” (sub-11h) ou simplesmente o medalhão de finisher, entender em qual grupo larga e o que esse semáforo significa em cada posto de controle não é detalhe burocrático é estratégia de prova. Para organizar o cronograma de viagem, hospedagem e logística entre Durban e Pietermaritzburg.

A jornada da Comrades não termina na linha de chegada, ela atravessa duas das regiões mais ricas de KwaZulu-Natal. Durban, ponto de largada, é a porta de entrada: orla extensa, clima subtropical mesmo no inverno e uma cena gastronômica marcada pela influência indiana, com o bunny chow como prato símbolo da cidade. Quem chega dias antes da prova encontra na Golden Mile um lugar ideal para o último treino leve, de frente para o Oceano Índico. Já Pietermaritzburg, a chegada, dá acesso ao Midlands Meander, rota de vilarejos, ateliês e fazendas nas colinas verdes do interior, destino que poucos turistas convencionais conhecem, mas que o atleta que chegou correndo até ali tem em mãos. É o tipo de prova que transforma os dias seguintes à chegada em parte da experiência, não em resíduo dela.

A edição 2026 também marca um recorde para o Brasil: 234 atletas brasileiros confirmados, alta de cerca de 30% em relação a 2025, consolidando o país como a segunda maior delegação estrangeira na prova. Entre eles, o ultramaratonista Nato Amaral disputa sua 16ª Comrades, reforçando o papel do Brasil como uma das comunidades mais fiéis ao evento fora da África do Sul. Na briga pelo pódio, o feminino tem favorita natural: Gerda Steyn busca o quinto título da carreira e o quarto consecutivo, depois de mais uma vitória dominante no Two Oceans. Já o masculino chega sem favorito claro, o atual campeão do Up Run, Piet Wiersma, divide as atenções com o tricampeão Tete Dijana, especialista em Down Run que ainda não tem o título de subida na carreira, além de nomes como Edward Mothibi e Joseph Manyedi.

Para o atleta brasileiro que terminou de ler até aqui e pensou “eu preciso treinar subida”, o calendário nacional já oferece duas referências diretas, uma que acabou de acontecer, outra que ainda está por vir.

A Rio do Rastro Marathon 2026, disputada em 16 e 17 de maio na Serra Catarinense (Lauro Müller/Orleans), se apresenta como a “maratona de estrada mais difícil do Brasil” e a edição deste ano confirmou o motivo. Foram 2,5 mil atletas, vindos de 24 estados e do Distrito Federal, divididos entre 12km, 25km e a maratona completa de 42km, todos enfrentando as curvas e rampas contínuas da Serra do Rio do Rastro. Nos 42km, Susany Perardt e Renato Ferreira Cirino repetiram o título da edição anterior; nos 25km, Rogerio Silvestrin venceu no masculino e Sthéfanny Reus Borges no feminino, com 2h14m40; nos 12km, Vinicius Bernardon da Silva fechou em 1h01m49. Quem corre Rio do Rastro treina exatamente o tipo de força de subida sustentada que separa quem sofre na Comrades de quem administra, rampa que não acaba, curva fechada atrás de curva fechada, sem trecho plano para “descansar o motor”. A próxima edição já tem data marcada: 22 e 23 de maio de 2027.

Já quem quer um teste mais imediato, com prova de subida pura, tem A Muralha Up and Down Marathon no calendário de agosto. No dia 16/08/2026, o Percurso UP sai de Penedo rumo a Visconde de Mauá, na Serra da Mantiqueira (RJ), 42,195km de asfalto, com 317 curvas e uma altimetria que a própria organização classifica entre as mais exigentes do país. Diferente da Comrades, aqui a subida não fica “concentrada no início e some”, ela é o produto da prova inteira. Para o atleta que sonha com uma Comrades futura ou com qualquer ultra de elevação relevante, A Muralha funciona como simulado real: o corpo aprende, na prática, a diferença entre correr e empurrar o próprio peso morro acima por mais de quatro horas seguidas, quem chega com volume de asfalto plano não deve esperar o mesmo resultado na ladeira.

Para o atleta amador brasileiro que sonha em correr a Comrades, seja em 2026, acompanhando de perto, seja planejando a edição Down Run de 2027,  a regra é a mesma que vale para qualquer ultra fora do país: o percurso não perdoa quem chega sem plano, mas recompensa de forma desproporcional quem treina especificamente para o relevo que vai encontrar. Subir 1.800 metros distribuídos nos primeiros 35km de uma prova de quase 86km não é treino de corrida de rua, é treino de ladeira, de força e de paciência. Domingo, a partir das 05h00 de Durban (horário local), a Comrades 2026 começa a responder quem fez esse dever de casa.

entreesportes.

ItemDetalhe
Nome oficialComrades Marathon
Edição99ª edição geral / 50ª edição Up Run
DataDomingo, 14 de junho de 2026
Sentido da provaUp Run — Durban → Pietermaritzburg
Distância oficial85,777 km
Ganho de elevação+1.800m, concentrado nos primeiros 35km
Ponto mais altoUmlaas Road (aprox. metade do percurso)
Big Five (subidas)Cowies Hill, Fields Hill, Botha’s Hill, Inchanga, Polly Shortts
Largada3 grupos — 05h00 / 05h15 / 05h30
Limite de prova12h gun-to-mat por grupo (corte final às 17h30)
Sistema de corteSemáforo verde / âmbar / vermelho ao longo do percurso
Participantes21.633 inscritos qualificados (~23 mil estimados no total)
Delegação brasileira234 atletas — +30% vs. 2025, 2ª maior delegação estrangeira
Site oficialcomrades.com
ItemDetalhe
Nome oficialA Muralha Up and Down Marathon — Percurso UP
Edição2026
DataDomingo, 16 de agosto de 2026
LocalPenedo (Itatiaia, RJ) ↔ Visconde de Mauá (Resende, RJ) — Serra da Mantiqueira
Distância oficial42,195 km (asfalto)
Curvas no percurso317
AltimetriaPerfil de subidas e descidas acentuadas — altimetria oficial em PDF no site
Largada06h00, após traslado de ônibus saindo de Penedo na madrugada
Arena de prova / kitsCampo do Clube Finlândia, Penedo
Inscriçõesamuralha.com.br/inscricoes
RegulamentoPDF oficial em amuralha.com.br
Site oficialamuralha.com.br