Olympikus Corre 5 vs Vento 3: o que cada um entrega quando o longão fica difícil
Desde que o Corre 5 e o Vento 3 chegaram às lojas em abril, as perguntas são? “Corre 4 ou Corre 5?”, “Corre Max ou Vento 3?”, “Qual dos dois aguenta um longão?”. O corredor brasileiro já decidiu a marca. A confusão agora é dentro da própria linha e ela tem lógica. Olympikus lançou quatro modelos da família Corre em 2026, todos com tecnologia atualizada, todos com preço acessível, todos com o mesmo DNA visual. Quem entra numa loja ou abre o site para comprar um tênis de corrida sério sai com mais dúvida do que entrou. Esse texto existe para resolver isso, especificamente entre Corre 5 e Vento 3, os dois modelos que mais aparecem no head-to-head das redes, com o critério que as redes sociais não entregam: o que acontece com cada um quando você chega no km 30.
O leitor que chega até aqui não está pesquisando tênis por curiosidade. Está tomando uma decisão. Ou tem uma prova marcada e ainda não sabe com qual tênis vai cruzar a linha de chegada. Ou está numa semana de longão e percebeu que o tênis que veio usando não vai aguentar a carga que o treino pede de agora em diante. A Olympikus não facilita a escolha: os dois modelos custam menos de R$ 600, pesam praticamente o mesmo, têm o mesmo drop e o mesmo solado. O que os separa está onde a maioria dos reviews não chega, dentro da entressola, e nos quilômetros em que ela faz diferença. O entreesportes não está aqui para validar lançamento. Está aqui para responder o que as redes não conseguem: com qual desses dois você desce para o km 35 de uma maratona com alguma reserva na perna.
A diferença técnica entre os dois modelos começa na entressola e termina no km 25. O Corre 5 usa PY-VA: uma combinação de EVA e partículas de PEBAX. O Vento 3 usa ELEVA PRO 2.0: EVA puro. Na prática, o EVA absorve impacto, reduz a carga vertical que chega ao tornozelo, joelho e quadril em cada passada. O PEBAX, quando combinado ao EVA como no PY-VA, faz outra coisa: retorna energia durante a fase de propulsão. Nos primeiros 10km, você quase não sente essa diferença. Nos últimos 10 de uma prova de 42km, ela é táctica.
Um tênis que sustenta retorno de energia sob fadiga não muda apenas o conforto, muda a conta de pace que você vai ter que fazer lá na frente. A gestão de pace é, no fundo, uma decisão sobre onde você quer que a prova seja difícil. No positive split, ela é difícil no último terço, quando já não há reserva para negociar. No negative split, ela é difícil no início e progressivamente mais administrável enquanto os corredores ao redor começam a desacelerar. Qual desses cenários o seu tênis ajuda a construir não é questão de preferência é questão de entressola. A análise completa, com calculadora de pace inclusa, está no nosso guia de gestão de pace em maratonas.
Quem levou o Corre 5 para distâncias longas confirma o que a entressola PY-VA promete, resposta consistente nos quilômetros finais e sensação de que o tênis não perde desempenho quando a fadiga aumenta. A ressalva vem de corredores mais leves ou de distâncias curtas: para esse perfil, a diferença sobre o EVA puro é pouco perceptível no dia a dia, e o investimento extra não se justifica. Quem corre longão ou maratona valida o tênis. Quem corre 5km ou 10km questiona se precisava disso.
Vento 3, quem o testou em treinos de tiro e provas curtas elogia a leveza e a transição de passada, e a maioria diz que “parece mais rápido no pé”. A crítica recorrente vem de quem tentou usar o tênis em longões acima de 25km: a entressola em EVA puro começa a mostrar limitação na fase final, e alguns relatos falam em pernas mais pesadas no dia seguinte. O Vento 3 tem fãs convictos, mas quase todos eles atestam até 21km.
Existe uma terceira versão do Corre 5 que merece atenção separada: a edição especial Vanderlei Cordeiro de Lima. Ela usa a mesma entressola PY-VA do modelo padrão, mesma tecnologia, mesmo comportamento de corrida, mas carrega um contexto que transforma o ato de comprar um tênis em algo mais difícil de ignorar. Vanderlei Cordeiro de Lima ganhou o bronze em Atenas 2004 na maratona. Nos quilômetros finais, um espectador invadiu a prova e o derrubou do curso. Ele voltou. Terminou em terceiro. A edição leva a frase “Bronze no pódio, ouro na história” estampada no tênis, não como slogan, mas como registro do que acontece quando alguém mantém o pace quando tudo ao redor tenta interromper a passada. Parte dos lucros vai para o Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima (IVCL) e para o programa Corre do Amanhã, que leva corrida para jovens em situação de vulnerabilidade. Para o corredor que está em dúvida entre o Corre 5 padrão e a edição especial: a tecnologia é a mesma. O que muda é o que você está carregando com o tênis.
A Maratona Internacional de São Paulo de 2026 entregou o dado que fecha esse comparativo. O Corre 5 foi testado em prova pelos revisores do Estadão e a conclusão foi direta: “comportamento estável e previsível, sem perda significativa de resposta” depois de 42km. Previsível é um elogio técnico. Significa que o tênis manteve seu padrão de resposta enquanto o acúmulo de impacto tentava degradá-lo. O Vento 3, para o mesmo percurso, não foi projetado para isso e a marca não pretende que fosse. Os dois modelos são bons. Mas não são intercambiáveis. E se você pensa o treino como sistema, a família vai além desses dois: o Corre Turbo entra nos dias de ritmo e nas provas onde o objetivo não é o crono absoluto; o Corre Pace, com placa de carbono, fica reservado para quando o RP é a única variável que importa; o Corre Trilha 3 resolve o off-road com o mesmo DNA de entressola do Corre 5. Cada modelo tem um momento. O argumento completo está aqui.
O tênis que você coloca no longão de sábado não é só gear, é uma variável de recuperação que vai aparecer na terça-feira. Quem chega no km 30 de um longão num tênis que não foi feito para isso chega com mais dano muscular acumulado, mais custo metabólico por passada, mais fadiga residual que o treino de qualidade da semana seguinte vai ter que absorver. A pergunta “Corre 5 ou Vento 3?” é, no fundo, uma pergunta sobre quanto da sua semana de treino você quer gastar gerenciando fadiga que o equipamento criou e quanto você quer gastar melhorando a performance que o treino constrói. Se você ainda não tem uma resposta clara sobre o que procura no seu próximo tênis, ou quer entender melhor como curadoria de gear se encaixa na sua rotina de treino, o entreesportes pro tem o ponto de partida certo e o clube de assinaturas do entreesportes tem as perguntas pra você chegar longe.
Entre no clube. Compartilhe a atividade. O próximo longão merece o tênis certo no pé.
| FICHA TÉCNICA |
| Item | Olympikus Corre 5 | Olympikus Vento 3 |
|---|---|---|
| Preço sugerido | R$ 599,99 | R$ 499,99 |
| Peso | 217g (tam. 40) | 215g (tam. 40) |
| Drop | 8mm | 8mm |
| Entressola | PY-VA (EVA + PEBAX) | ELEVA PRO 2.0 (EVA) |
| Cabedal | Oxitec 2.0 | Oxiflex |
| Solado | Ultrax | Ultrax |
| Palmilha | NT-X | — |
| Stack heel/fore | 33mm / 25mm | 32mm / 24mm |
| Melhor uso | Longão + prova alvo | Tiro, fartlek, provas curtas |
| Disponibilidade | Desde abril/2026 | Desde abril/2026 |
| Site oficial | olympikus.com.br | olympikus.com.br |
