UAI Ultramaratona Internacional dos Anjos 2026: seis distâncias, Serra da Mantiqueira e uma única chegada — Passa Quatro

UAI Ultramaratona Internacional dos Anjos 2026: seis distâncias, Serra da Mantiqueira e uma única chegada, Passa Quatro

corrida de montanha

Poucas provas no calendário brasileiro exigem que o atleta escolha a própria dose de sofrimento antes mesmo de sair de casa. A UAI Ultramaratona Internacional dos Anjos faz exatamente isso: seis distâncias: 25km, 55km, 100km, 140km, 170km e 235km, largadas em cidades diferentes espalhadas pela Serra da Mantiqueira mineira, e uma única linha de chegada em Passa Quatro/MG. O ponto de partida muda. O destino é sempre o mesmo. E o percurso, em qualquer das categorias, não perdoa quem chegou subpreparado para a montanha.

Organizada pela Ultra Runner Eventos, a UAI carrega credencial UTMB, o que já diz algo sobre o nível de exigência da prova. Não é uma ultramaratona de loop onde o atleta passa pela base a cada volta. É uma travessia real: quem larga nos 55km sai de São Lourenço em direção a Passa Quatro. Nos 100km, a largada é em Baependi. Nos 170km, em Alagoa. O 235km parte de Passa Quatro, cruza Itamonte, Alagoa, Aiuruoca, Cachoeira dos Garcias, Baependi, Caxambu, São Lourenço e retorna, a Serra da Mantiqueira inteira como percurso. 

Cada distância tem um caráter próprio. O 25km de Passa Quatro é a porta de entrada, survivor obrigatório, um ponto de controle no km 12, limite de seis horas. Ainda é trail de montanha, mas com escopo claro. O 55km, com largada em São Lourenço e encerramento em Passa Quatro, já carrega uma reputação construída por quem foi: atletas relatam nas redes que a UAI 55km exige mais que provas de 65km em outros formatos, pelo perfil técnico das trilhas da Mantiqueira. O 100km sai de Baependi com três pontos de controle no caminho (Caxambu no km 20, São Lourenço no km 45, Virgínia no km 66) e limite de 26 horas. A partir dos 140km, o carro de apoio entra como opção para quem opta por “solo com apoio” e um perfil de terreno passa a isolar completamente o atleta em determinados trechos, especialmente entre Aiuruoca e o Espraiado do Gamarra, numa área de preservação ambiental onde nenhum veículo pode circular.

A questão energética nessas distâncias vai muito além do gel a cada 45 minutos. Nas categorias Survivor, obrigatório para quem compete nos 25km, 55km e 100km, o atleta carrega tudo que vai consumir, num trecho que pode atingir aproximadamente 40km entre pontos de controle sem reabastecimento externo. Nos 235km Survivor, o regulamento é explícito: alimentação extra suficiente para cobrir essa janela entre PCs é item obrigatório de kit. Isso muda completamente o planejamento calórico da prova a estratégia hipercalórica deixa de ser opção e vira protocolo, como detalhamos em nossa análise sobre quando comer não é suficiente no endurance.

Quando o problema é carregar calorias de qualidade em peso mínimo e sem risco de distress gastrointestinal no meio da montanha, a lógica aponta para alimentos de alta densidade proteica e energética. A Power Protein Crisp Banoffee – Max Titanium entra nesse cálculo: 15g de proteína e TCM (Triglicerídeos de Cadeia Média) em 44g de barra, sem lactose, com carboidrato de baixo índice glicêmico que entrega energia sustentada sem o pico e queda que compromete o ritmo nos trechos mais isolados do Survivor. Caixa com 12 unidades. Confira aqui.

Power Protein Crisp Cx 12 Unid Max Titanium Sabor Banoffee
Power Protein Crisp Cx 12 Unid Max Titanium Sabor Banoffee

O kit obrigatório da UAI cresce com a distância e essa progressão é o mapa de exigência da prova. Para o 55km: mochila ou cinto de hidratação, duas lanternas com pilhas sobressalentes, colete refletivo, cobertor térmico e apito. Para os 100km: mesmos itens. A partir dos 140km: acrescenta corta-vento e medicamentos (antidiarreico, antitérmico, analgésico). Para os 235km com ou sem apoio: adiciona agasalho, calça segunda pele, luva e touca/buff. O atleta que está montando o stack de trail para uma prova nesse nível, especialmente em estreia numa ultra de montanha, encontra curadoria técnica completa no entreesportes pro — categoria trail.

A navegação noturna da UAI tem regras que valem como alerta antes da largada: a passagem por pontos de controle ou chegada sem colete refletivo após o pôr do sol resulta em desclassificação imediata, mesmo que o atleta esteja portando o equipamento na mochila ou no carro de apoio. A marcação do percurso é feita com setas amarelas pintadas e placas refletivas, complementadas por pontos luminosos fluorescentes nas curvas e bifurcações para a navegação noturna. O trecho entre Aiuruoca (km 95 no 235km) e o Espraiado do Gamarra (km 135) é o mais isolado da prova: impraticável para veículos, em área protegida do Parque Estadual da Serra do Papagaio, o regulamento recomenda explicitamente pace ou grupamento nesse segmento. Nesses trechos, o atleta está sozinho com a montanha e o planejamento dessa janela define se a prova termina em pé ou em DNF.

Passa Quatro é o centro gravitacional de toda a prova, largada do 25km e do 235km, chegada de todas as distâncias, sede do evento. A cidade está encravada na Serra da Mantiqueira, no sul de Minas Gerais, e guarda uma geografia que a maioria dos visitantes convencionais nunca acessa. A Pedra da Mina, a 2.798 metros de altitude, é o quarto pico mais alto do Brasil e está a menos de 30km do centro histórico de Passa Quatro, um roteiro que o atleta que chegou pela prova enxerga com olhos completamente diferentes. A Maria Fumaça, locomotiva de 1929 que ainda percorre o trecho histórico da região, conecta a cidade a um trajeto que cruzou gerações de montanhistas. A FLONA de Passa Quatro, Floresta Nacional com 335 hectares, tem trilhas que levam às cachoeiras da Iporã e da Gomeira, acessíveis a pé do centro. E o trajeto da prova passa por Caxambu e São Lourenço, duas das maiores cidades termais do país: quem faz o 100km ou mais literalmente corre através de um roteiro que turista nenhum percorre com essa perspectiva.

A UAI está num ponto singular do calendário de trail brasileiro: mantém o formato de travessia quando a maioria das ultras migrou para loops, entrega seis escalões que permitem ao atleta calibrar o desafio sem trocar de prova, e ainda tem limite de 100 atletas por distância. Não existe nada geograficamente equivalente no circuito, uma única prova que atravessa a Serra da Mantiqueira e encerra em Passa Quatro independente de onde você largou. Para quem compete em trail há anos e ainda não fez a UAI, essa é a lacuna no palmarès.

UAI Ultramaratona Internacional dos Anjos 2026: seis distâncias, Serra da Mantiqueira e uma única chegada — Passa Quatro

A UAI Ultramaratona Internacional dos Anjos 2026 acontece de 22 a 26 de julho em Passa Quatro/MG. As largadas distribuídas pelas cidades da Serra da Mantiqueira começam na sexta-feira e vão até o sábado, com encerramento oficial no domingo. Cada distância tem limite de 100 atletas. Regulamento em ultrarunnereventos.com.br

entreesportes.

Ficha Técnica

ItemDetalhe
Nome oficialUAI Ultramaratona Internacional dos Anjos 2026
OrganizaçãoUltra Runner Eventos
Data22 a 26 de julho de 2026
Local de chegadaPraça de Eventos, ao lado da Rodoviária, Centro de Passa Quatro/MG
Distâncias25km · 55km · 100km · 140km · 170km · 235km
LargadasPassa Quatro (25km e 235km) · São Lourenço (55km) · Baependi (100km) · Aiuruoca (140km) · Alagoa (170km)
Limites de tempo25km: 6h · 55km: 12h · 100km: 26h · 140km: 36h · 170km: 48h · 235km: 60h
Limite de participantes100 atletas por distância
FormatoSurvivor obrigatório (25/55/100km) · Solo com apoio ou Survivor (140/170/235km)
CredencialUTMB
Site oficialultrarunnereventos.com.br

A Serra da Mantiqueira ficou no corpo de quem foi. Registre no Strava, entre no clube do entreesportes e compartilhe com quem sabe o que significa cruzar uma linha de chegada de ultra.