UCI Gravel World Series Brazil 2026 coloca o país na rota global do gravel

UCI Gravel World Series Brazil 2026 coloca o país na rota global do gravel

Ciclismo

A etapa brasileira da UCI Gravel World Series, disputada neste domingo (8) em Camboriú (SC), teve domínio de atletas brasileiros nas principais categorias. O destaque ficou para as vitórias de Henrique Avancini na elite masculina e Ana Luisa Korc Panini na elite feminina, ambos garantindo vaga para o UCI Gravel World Championships.

A prova integrou o circuito classificatório organizado pela Union Cycliste Internationale, reunindo atletas profissionais e amadores em percursos majoritariamente de estradas de terra e cascalho.

Resultado – Elite masculina

O bicampeão mundial de MTB maratona Henrique Avancini confirmou o favoritismo e venceu de forma dominante. O brasileiro atacou cedo, abriu vantagem ainda nos primeiros quilômetros e completou os 113 km praticamente em esforço solo.

Pódio – Elite masculina

1° Henrique Avancini — 3h27min21s
2° Joaquin Plomer Vilotta — 3h39min34s
3° Vitor Pompeu — 3h45min14s

Além da vitória, Avancini estabeleceu novo recorde do percurso, mesmo chegando à prova após uma sequência de competições internacionais nas semanas anteriores.


Resultado – Elite feminina

Na elite feminina, a catarinense Ana Luisa Korc Panini, natural de Indaial (SC), fez uma corrida consistente e conquistou a vitória em um dia simbólico: o Dia Internacional da Mulher.

Pódio – Elite feminina

1° Ana Luisa Korc Panini — 4h25min10s
Ana Paula Finco Silva — 4h28min26s
3° Madeleine Nutt — 4h31min48s

A vitória veio após meses de preparação específica para o evento, garantindo também a classificação para o Mundial da modalidade.

Percurso técnico da etapa brasileira

A prova teve largada e chegada na região de Camboriú, com percurso de 113 km e cerca de 90% do trajeto em estradas de terra e cascalho, característica típica das competições de gravel do circuito mundial.

O traçado incluiu:

  • longos setores de estradas rurais

  • trechos técnicos com cascalho solto

  • subidas prolongadas no interior catarinense

Esse tipo de percurso exige resistência prolongada, capacidade de leitura de terreno e gestão de ritmo, elementos que favoreceram ciclistas experientes em provas de endurance.


Brasil consolida presença no circuito mundial

A etapa de Camboriú é a única prova da série mundial disputada no Brasil e distribui vagas diretas para o Mundial de Gravel 2026, que será realizado na Austrália.

Além dos vencedores da elite, os 25% melhores colocados de cada categoria etária também garantem classificação para o campeonato mundial, reforçando o caráter massivo da modalidade.


A vitória de Avancini reforça o movimento de transição de grandes nomes do MTB e do ciclismo de estrada para o gravel — modalidade que cresce rapidamente no calendário internacional. Já o triunfo de Ana Luisa mostra a força do ciclismo de resistência no sul do país, região que vem se consolidando como um dos polos brasileiros da disciplina.

Amadores protagonizam a UCI Gravel World Series Brazil 2026 em Camboriú

Além das vitórias de elite, a etapa brasileira da UCI Gravel World Series, disputada em 8 de março de 2026 em Camboriú (SC), teve como principal característica a forte presença do pelotão amador. O evento faz parte do circuito classificatório organizado pela Union Cycliste Internationale e, por regulamento, é aberto a ciclistas profissionais e amadores, que competem nas chamadas categorias “age group”.

Na prática, isso transforma a prova em um grande festival de endurance sobre gravel, reunindo atletas experientes, triatletas, ciclistas de estrada e praticantes de mountain bike que buscam competir em nível internacional.

Como funcionam as categorias para amadores

O sistema da série mundial é estruturado por faixas etárias, permitindo que atletas amadores disputem entre si e tenham chances reais de classificação para o campeonato mundial.

Cada faixa etária possui disputa masculina e feminina em diferentes distâncias do evento.

O regulamento da série estabelece que os 25% melhores de cada categoria garantem vaga direta para o Mundial de Gravel, previsto para outubro na Austrália.

Dois percursos principais para os amadores

A etapa brasileira ofereceu dois percursos classificatórios principais.

Gravel Granfondo – 113 km

  • percurso principal do evento

  • utilizado por elite e pela maioria das categorias amadoras

  • cerca de 90% do trajeto em estradas de terra e cascalho

Gravel Mediofondo – cerca de 69 km

  • destinado a categorias mais altas de idade

  • também classificatório para o Mundial

O traçado incluiu longos setores de estrada rural, subidas progressivas no interior de Santa Catarina e trechos de cascalho solto, exigindo boa capacidade de ritmo e gestão de esforço ao longo de várias horas de prova.


Perfil dos amadores que participaram

O perfil dos atletas amadores inscritos reflete uma tendência crescente no gravel mundial.

Entre os participantes estavam principalmente:

Ciclistas de estrada migrando para o gravel
Atletas acostumados a provas de gran fondo encontram no gravel um desafio mais técnico e menos dependente de pelotões.

Praticantes de mountain bike endurance
Competidores de maratonas de MTB, acostumados a longas distâncias e terrenos mistos.

Triatletas de longa distância
Especialmente atletas de Ironman que utilizam o gravel como nova modalidade de endurance.

Ciclistas masters experientes
Faixas etárias acima de 40 e 50 anos costumam ter grande participação nas provas da série mundial.


O peso do amador no gravel internacional

Diferentemente do ciclismo de estrada profissional, o gravel tem um modelo competitivo mais aberto. A elite larga junto ou próxima dos amadores, e grande parte do evento é formada justamente por atletas das categorias etárias.

Esse formato cria um ambiente particular:

  • atletas profissionais dividindo o percurso com amadores

  • possibilidade real de classificação ao Mundial mesmo fora do pelotão profissional

  • grande diversidade de níveis técnicos dentro da mesma prova

Na etapa de Camboriú, isso ficou evidente com um pelotão amplo ocupando as estradas rurais da região ao longo do percurso de mais de 100 quilômetros.

A presença massiva de amadores reforça o posicionamento do gravel como uma das modalidades que mais crescem no ciclismo mundial. Provas do circuito da UCI costumam atrair ciclistas que buscam desafios de resistência sem a estrutura rígida do ciclismo profissional.

No caso da etapa brasileira, o evento consolida o país como um polo emergente da disciplina na América do Sul, oferecendo aos ciclistas nacionais a oportunidade de disputar uma vaga no Mundial dentro do próprio calendário doméstico.