Vanderlei Cordeiro de Lima cruzou a linha de chegada da Maratona de São Paulo em outubro de 2002 com 2h11min19s. O Brasil estava no pico de sua produção de maratonistas de elite, o percurso de São Paulo ainda não era o que é hoje, e a marca ficou. Por 24 anos, ela resistiu a pelotões africanos, a condições climáticas favoráveis em Florianópolis, ao crescimento explosivo do esporte de participação no País. Caiu num domingo de maio de 2026, na Orla do Guaíba, sobre 14 metros de altimetria acumulada, o percurso mais plano construído até hoje em território brasileiro.
O queniano Daniel Kiprono Sang cruzou a meta da 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre Olympikus em 2h10min21s. Cinquenta e oito segundos abaixo de Vanderlei.
O recorde não é apenas de Sang é da soma de decisões que o CORPA tomou ao longo de anos: ajustar o percurso ponto a ponto até chegar em 14 metros de ganho total, montar uma premiação que pudesse atrair o nível de elite necessário para atacar esse tempo, e fazer de Porto Alegre em maio um destino técnico de verdade para quem busca marca.
Esse artigo conta a história desse recorde, de onde ele veio, por que durou tanto, e o que ele diz sobre onde o Brasil está hoje na maratona.
Vanderlei fez 2h11min19s em São Paulo, em outubro. A cidade tem temperatura acima de 25°C na maioria dos outuros. O percurso de 2002 tinha altimetria acumulada estimada acima de 80 metros. E mesmo assim, o tempo resistiu. A razão é simples: o Brasil não construiu, até recentemente, as condições necessárias para que um atleta de elite pudesse atacar esse número. Percurso plano, premiação que justificasse a viagem de um pelotão africano de ponta, clima favorável — os três fatores juntos não existiam em nenhuma prova brasileira com o histórico e a estrutura necessários. Como já analisamos em nossa preparação para a Maratona de Porto Alegre, o percurso gaúcho cobra na segunda metade e foi exatamente essa segunda metade que definiu o recorde de Sang.
Vanderlei — São Paulo 2002
2h11min19s
pace médio: 3min06s/km
Sang — Porto Alegre 2026
2h10min21s
pace médio: 3min05s/km
Diferença
58 segundos
24 anos de espera
Paces estimados por segmento com base nos tempos oficiais e padrão de corrida de elite. Curva de Vanderlei considera percurso de SP com ~80m de altimetria. Curva de Sang considera percurso de POA com 14m.
Quatorze metros de altimetria acumulada nos 42,195 quilômetros. Para ter referência: Berlim, a maratona mais rápida do mundo, tem menos de 25 metros. Florianópolis, referência histórica de percurso rápido no Brasil, opera em torno de 60 a 80 metros dependendo da edição. São Paulo, onde Vanderlei correu, chegou a ter mais de 100 metros em edições antigas. O percurso de Porto Alegre, redesenhado ao longo das últimas edições e ajustado até chegar nos 14 metros atuais, coloca a prova no nível das melhores do mundo em termos de condição técnica. Aliado ao inverno gaúcho, temperatura entre 8°C e 14°C na largada de maio, o resultado é a janela ideal para o corredor que quer saber o que tem no tanque.
Para quem está em busca de marca em uma primeira maratona ou de um PR depois de anos treinando, a física do percurso trabalha a favor desde o km 1. Uma maratona com 14 metros de altimetria não exige gerenciamento de subida, exige gerenciamento de ritmo, e esse é um problema diferente, resolvível com treino e estratégia. Para o corredor que busca o índice para Boston, as exigências variam entre 3h00 e 3h05 para homens de 18 a 34 anos. Com 14 metros de altimetria e clima de inverno, Porto Alegre entrega as condições que outras provas brasileiras não entregam. Para aguentar o ritmo nos 42km, a estratégia nutricional faz diferença real nos quilômetros finais o New Millen Nitro Power Gel entrega carbo de rápida absorção exatamente quando o corpo começa a negociar no km 30.
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O recorde de maio não esgota o calendário de maratona em Porto Alegre. Em 12 de julho de 2026, a cidade recebe a NB 42K Porto Alegre, a parada sul-americana do projeto Eliud’s Running World, com o qual Eliud Kipchoge está correndo maratonas nos sete continentes. O maior maratonista da história, bicampeão olímpico, recordista mundial com 2h00min35s, volta ao Brasil dez anos depois de ter vencido o ouro nos Jogos do Rio, e escolheu Porto Alegre como etapa sul-americana. O percurso da NB 42K tem 20 metros de altimetria acumulada, ligeiramente acima dos 14 metros da Maratona Internacional, mas ainda dentro dos parâmetros de uma prova rápida internacionalmente. O inverno gaúcho em julho é mais frio: 3°C a 12°C. Para fins de performance, dado positivo. A prova tem bônus de R$ 600.000 para quem bater o recorde sul-americano de maratona.
| Item | Maratona Internacional POA | NB 42K Porto Alegre |
|---|---|---|
| Data 2026 | 31 de maio | 12 de julho |
| Altimetria acumulada | 14m | 20m |
| Temperatura na largada | 8°C – 14°C | 3°C – 12°C |
| Total de inscritos | 30.000 | 21.500+ |
| Premiação total | R$ 1M+ | R$ 1M+ |
| Bônus recorde SA | — | R$ 600.000 |
| Destaque elite | Daniel Kiprono Sang | Eliud Kipchoge |
| Índice Boston | ✓ | ✓ |
O que Porto Alegre 2026 consolida vai além de dois recordes e 30 mil inscritos. A cidade entrou no mapa das maratonas onde tempo é possível, ao lado de Sevilha, Valência e Berlim. Para o atleta brasileiro que busca qualificação para Boston ou quer saber o que tem no tanque em condições reais de performance, a resposta passou a ser clara: POA em maio ou julho. O percurso está lá. A data está lá. E com Kipchoge na linha de largada em julho, o asfalto que já tem o recorde brasileiro vai receber o homem que tem o recorde do mundo.
Masculino — top 5 — 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre 2026
| Pos. | Atleta | País | Tempo final |
|---|---|---|---|
| 1º | Daniel Kiprono Sang | Quênia | 2h10min21s |
| 2º | Eliasa Kibet | Quênia | 2h10min59s |
| 3º | Victor Kimplimo | Quênia | 2h11min11s |
| 4º | Nicolas Kiptoo Kosgei | Quênia | 2h11min43s |
| 5º | Hillary Biwott | Quênia | 2h12min26s |
Feminino — top 5 — 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre 2026
| Pos. | Atleta | País | Tempo final |
|---|---|---|---|
| 1ª | Gelane Senbete | Etiópia | 2h31min16s |
| 2ª | Lucy Nthenya | Quênia | 2h31min26s |
| 3ª | Emily Chebet | Quênia | 2h33min10s |
| 4ª | Vivian Kiplagati | Quênia | 2h33min41s |
| 5ª | Florencia Borelli | Argentina | 2h35min39s |
A 42ª edição da Maratona Internacional ainda não tem data confirmada. Para quem quer correr rápido no Brasil, o histórico já é suficiente: marca Porto Alegre no calendário com um ano de antecedência, monta o bloco de treino para chegar em forma, e testa o que tem no tanque no percurso mais plano do país.
entreesportes.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Recorde histórico masculino | 2h10min21s — Daniel Kiprono Sang (Quênia), Porto Alegre, 31/05/2026 |
| Recorde anterior | 2h11min19s — Vanderlei Cordeiro de Lima (Brasil), São Paulo, 2002 |
| Diferença | 58 segundos |
| Prova do recorde atual | 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre Olympikus |
| Altimetria POA | 14 metros acumulados |
| Temperatura na largada | 8°C – 14°C (maio) |
| Próxima janela | NB 42K Porto Alegre — 12 de julho de 2026 |
| Bônus recorde SA (NB 42K) | R$ 600.000 |
| Destaque NB 42K | Eliud Kipchoge |
| Índice Boston masc. 18–34 | 3h00min |
| Índice Boston fem. 18–34 | 3h30min |
