Monstar Games 2026: Dan Moreira e Emily Andrade vencem o festival fitness da América Latina — e provam que o CrossFit brasileiro não tem mais espaço para fraqueza

Passar pelo qualifier do Monstar Games não é garantia de nada. É só a entrada. O que acontece dentro do Sesi Multiparque nos três dias seguintes é onde a conta chega e em 2026, ela chegou com juros. Mais de 1.500 atletas de seis países, quatro arenas simultâneas, provas que testaram cada sistema energético disponível. No final de tudo, dois nomes ficaram de pé no topo: Dan Moreira, no elite masculino, e Emily Andrade, no feminino.

CrossFit

Seis workouts em três dias. Uma prova na sexta, três no sábado, duas no domingo. Quatro ambientes diferentes, arena interna coberta, campo aberto, piscina e rua. O Monstar não escolhe uma valência e aposta nela. Cobra tudo ao mesmo tempo, em sequência, com um dia de diferença entre os esforços.

A corrida de 6km no sábado de manhã é uma marca registrada que poucos eventos do calendário mantêm. Não é aquecimento é uma prova com pontuação própria, disputada antes de mais dois workouts no mesmo dia. O atleta que chega no sábado à tarde ainda tem o domingo pela frente. O sistema fosfocreatina, ativado nas explosões de levantamento de peso, precisa coexistir com a capacidade aeróbia que a corrida e a piscina exigem. Não é CrossFit de academia. É o CrossFit que revela se o condicionamento é real ou apenas treino bem-feito em condições controladas.

Essa lógica de quatro ambientes simultâneos é onde o Monstar se separa de qualquer evento que se limite a duas quadras. A piscina testa o que nenhuma barra consegue, o controle de respiração sob fadiga. O campo aberto expõe o atleta ao sol, ao vento e à ausência de qualquer referência de distância. A arena interna devolve a estrutura, mas não o conforto, o calor acumulado de um dia inteiro de competição cobre tudo que ainda precisa ser feito. Quem chegou em Goiânia com lacuna em qualquer uma dessas modalidades encontrou o Monstar exatamente onde dói.

A 18ª edição do Monstar Games consolidou o que o evento vem construindo desde 2014 em Goiânia. Não é coincidência que a cidade natal do festival seja também onde a prova voltou depois de dividir edições entre São Paulo, Rio e Brasília. Goiânia entende o Monstar de um jeito diferente, o público aparece, o ecossistema de boxes sustenta o volume e a cidade absorve 10 mil pessoas num fim de semana de fitness sem perder o ritmo. O Sesi Multiparque entregou as quatro arenas que a competição exige: duas quadras cobertas, um campo aberto e uma piscina. Cada uma com seu próprio vocabulário de sofrimento.

O elite feminino foi a categoria que mais evidenciou o que está acontecendo com o CrossFit competitivo brasileiro. Emily Andrade, da Brave Fitness Factory, liderou com 560 pontos, mas o que chama atenção não é a pontuação dela, é o que ficou atrás. Geovana Ravilla, da Garra Cross/Hércules Funcional, fechou em segundo com 512 pontos. Carolina Figueira, da CF Nest/Contagem, foi terceira com 506. Elizangela Gonçalves quarta com 501. Kelly Castro quinta com 493. Dezenove pontos entre segunda e quinta colocada. Em três dias de prova, essa diferença cabe dentro de uma única rep executada errada. É o que o entreesportes já identificou na nossa cobertura da Copa Sur 2026, a semifinal continental do CrossFit Games, o campo feminino brasileiro passou por uma densificação técnica que não perdoa mais inconsistência.

No elite masculino, Dan Moreira, da Sparta 1507/Unbrokenz, fez o que um líder faz: não venceu tudo, mas não perdeu onde importava. Somou 525 pontos e foi o único do top 5 a superar 520. João Borba, da Hércules Functional, foi segundo com 500, 25 pontos abaixo. Guilherme Maciel, da Bulo CrossFit/GL Athletes, fechou o pódio com 495. A diferença entre primeiro e segundo no masculino parece confortável no papel. Na prática, é o resultado de três dias acumulando decisões corretas sobre intensidade, gerenciamento de fadiga e escolha de estratégia em cada evento. Moreira não ganhou por talento. Ganhou por execução.

O que separa o Monstar de outros eventos do calendário é o qualifier. Não é uma inscrição aberta, é um filtro online com workouts complexos que definem quem de fato merece estar na arena. O atleta que chega em Goiânia já provou alguma coisa antes de pisar no piso. E mesmo assim, a prova mostra o que falta.

Para quem está construindo a base para eventos dessa exigência, a recuperação entre os dias é onde as posições se constroem ou se perdem. O sistema fosfocreatina, que sustenta a potência nos esforços explosivos repetidos do levantamento de peso, dos movimentos ginásticos e das transições de alta intensidade, precisa de reposição real entre as sessões. Três a cinco gramas por dia, consumidas no pós-treino junto com carboidrato, produzem a saturação muscular necessária sem desconforto gastrointestinal. É o protocolo mais eficiente para o atleta que vai competir por três dias seguidos. O entreesportes detalhou esse protocolo completo, incluindo por que a fase de saturação é opcional e como o transporte de creatina para o músculo funciona na prática, na nossa análise sobre creatina no endurance e performance de alta intensidade. Leitura obrigatória antes do próximo qualifier.

A suplementação crônica de três a cinco gramas diárias de creatina monoidratada aumenta os estoques de fosfocreatina no músculo, acelera a ressíntese de ATP nos picos de intensidade que toda prova de endurance tem, as subidas, os tiros finais, as acelerações táticas e reduz o dano muscular ao longo das horas de esforço contínuo. Para o corredor de maratona, o triatleta de Ironman e o atleta de CrossFit ou Hyrox, os benefícios são concretos e mensuráveis. E o argumento de que creatina causa retenção de líquido é real na fase de saturação, mas essa retenção é intramuscular, o que significa mais água disponível para a célula muscular trabalhar, não inchaço periférico. 

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O dado que resume a 18ª edição: 25 pontos separaram primeiro e segundo no masculino. Dezenove separaram segundo e quinto no feminino. Esses números dizem mais sobre o nível do CrossFit competitivo brasileiro do que qualquer ranking. Não há mais atleta dominante que vence com folga. Há campo. E campo denso muda tudo, a preparação precisa ser completa, sem lacuna em nenhuma modalidade, porque no Monstar não existe prova que você pode dar de ombros.

Goiânia entrega o que o atleta que viaja para uma prova precisa encontrar. O Parque Vaca Brava fica a menos de 10 minutos do Multiparque, opção de trote leve na véspera da competição com sombra e distância controlada. O Mercado Central abre cedo no sábado e tem o café da manhã que o atleta que vai competir precisa: denso, quente, sem pressa. A cidade tem uma energia que quem chega de fora não espera e que quem volta entende. O Monstar não seria o Monstar em qualquer cidade. Acontece em Goiânia porque Goiânia sustenta.

O que a 18ª edição confirma não é nenhuma surpresa para quem acompanha o calendário: o Monstar Games é o benchmark do fitness competitivo na América Latina. Mais de 1.500 atletas, seis países, qualifier exigente, quatro arenas, três dias. O evento que começou com 750 pessoas em setembro de 2014 chegou a 2026 como o maior festival fitness do continente. Dan Moreira e Emily Andrade são os campeões desta edição. Os nomes que aparecem atrás deles são o motivo pelo qual o próximo qualifier vai ser ainda mais disputado.

Para quem ficou de fora: o qualifier online da próxima edição abre no fim do ano. Para quem foi e sabe o que precisa melhorar, a temporada continua.

entreesportes.