Junho marca a virada do ano de treino. Quem começou a temporada com um tênis novo em janeiro já está perto da marca dos 500km de uso, o ponto em que a espuma começa a perder resposta antes de qualquer desgaste aparecer na sola. É exatamente agora, com o segundo semestre de provas se aproximando, que a pergunta muda: não é mais “qual tênis é mais bonito”, é “qual tênis resolve o que eu preciso pra fechar o ano”.
O primeiro semestre de 2026 trouxe lançamento atrás de lançamento, supertênis, trainers atualizados, edições limitadas. Para quem treina com seriedade, isso não é vitrine, é ruído. Decidir errado custa caro: no bolso e nos próximos três meses de adaptação a um tênis que não converge com seu jeito de pisar. Tênis errado não aparece no primeiro treino. Aparece no km 30.
A decisão é técnica, não estética. Três variáveis definem o que um tênis faz pelo seu corpo: a espuma da entressola, que devolve parte do impacto que você aplica; a presença ou não de placa de carbono, que rigidifica a entressola e direciona essa energia para frente em vez de deixá-la se dissipar; e o drop, a diferença de altura entre calcanhar e antepé, que define onde a carga cai a cada passada. Mudar qualquer uma dessas três variáveis muda a sua mecânica de corrida, para melhor ou para pior, dependendo do seu perfil.
Placa de carbono só faz diferença real acima de um certo ritmo: ela devolve a energia armazenada na flexão da entressola, mas só “trabalha” quando o impulso do passo é forte e rápido o suficiente para carregá-la. Abaixo disso, o foram por si só já entrega o retorno necessário e a placa só adiciona rigidez sem benefício proporcional. É por isso que existe diferença entre tênis de prova e tênis de treino: não é status, é física aplicada ao seu ritmo.
O panorama de meio de ano deixou claro quatro nomes e eles resolvem problemas diferentes, não o mesmo problema com preços diferentes. O Nike Alphafly 3 segue como referência de supertênis para quem corre rápido. O ASICS Novablast 5 se consolidou como o trainer de alta performance para volume e recuperação ativa. E a Olympikus colocou dois modelos em rota direta com esse cenário: o Corre Supra 2, supertênis nacional, e o Corre 5, o trainer que sustenta o ciclo inteiro.
Aqui está o dado que muda o jogo do meio de ano: o Corre Supra 2, com placa Carbon-G, fibra de carbono contínua revestida em grafeno, em três camadas e entressola NT-X PRO 2.0, em PEBA com nitrogênio. Mesma categoria de material dos supertênis de ponta. O Nike Alphafly 3, com ZoomX full-length e duas unidades Air Zoom, o Corre Supra 2 custa pouco mais da metade do que se paga por um Alphafly 3, com placa full-length, grafeno e 215g na balança. Não é o mesmo tênis. É o supertênis que, pela primeira vez, cabe no orçamento de quem não corre patrocinado.
Olympikus Corre Supra 2, três camadas de fibra de carbono contínua, duas bidirecionais para estabilidade e uma unidirecional que canaliza energia para frente, revestidas em grafeno para ganho de rigidez sem peso extra. Entressola NT-X PRO 2.0, cabedal Oxitec 4.0, solado em borracha Michelin, drop de 6mm, 215g. Quem testou a evolução em relação ao Supra 1 destaca o cabedal mais respirável e sem o atrito que causava bolhas na versão anterior, problema resolvido nesta geração. Limitação real: o ajuste de competição ainda é estreito, quem tem antepé largo sente o aperto já no primeiro treino.
Nike Alphafly 3, a versão mais leve da linha até hoje, com placa de carbono mais larga para estabilidade, ZoomX do calcanhar à ponta dos dedos, upper em Atomknit e transição mais suave que o Alphafly 2. Limitação real: é o ponto mais repetido nas reclamações de corredores, rasgos no cabedal e bolhas com 50-60km de uso aparecem com frequência, e a garantia costuma ser negada depois de 90 dias mesmo com poucos quilômetros rodados. A entressola alta e o efeito “trampolim” da placa também pedem ritmo de prova para compensar, andar ou trotar com ele é desconfortável.
ASICS Novablast 5, espuma FF BLAST MAX com cerca de 8,5% mais retorno de energia que o Novablast 4, stack de 41,5mm/33,5mm, drop de 8mm, upper redesenhado e mais respirável. Depois de testes com mais de 400km, virou consenso entre corredores como um dos trainers mais divertidos de 2026, macio, estável e versátil. Limitação real: tração comprometida em piso molhado, e a espuma é soft demais para tiro curto, em treino de velocidade o pé “afunda” e exige esforço extra para manter a cadência. Sweet spot: longão, regenerativo e tempo run até a meia maratona.
Olympikus Corre 5, entressola PY-VA, EVA com PEBAX, stack 33mm/25mm, drop de 8mm, 224g, cabedal Oxitec 2.0, solado em borracha ULTRAX. Foi testado em prova real na Maratona Internacional de São Paulo, onde manteve consistência ao longo dos 42km, o tipo de teste que expõe o que acontece depois do km 30, não só o conforto do primeiro contato. Limitação real: sem placa e sem a resposta “viva” da PEBA pura é amortecimento sólido e consistente, não retorno explosivo.
Para quem faz sentido cada um:
| Tênis | Categoria | Preço | Para quem faz sentido |
|---|---|---|---|
| Nike Alphafly 3 | Supertênis de prova | clique no modelo | Maratonista sub-3h30, prova longa e rápida |
| Olympikus Corre Supra 2 | Supertênis de prova | clique no modelo | Quem quer placa de carbono sem pagar preço de importado |
| ASICS Novablast 5 | Trainer premium | clique no modelo | Volume alto, recuperação ativa, treino diário |
| Olympikus Corre 5 | Trainer | clique no modelo | Base de treino, qualquer distância — pau pra toda obra |
O Corre 5 é o nome que resolve mais perguntas ao mesmo tempo. Não é o mais rápido nem o mais tecnológico da lista, mas é o único que aguenta o treino longo de domingo, o tiro de terça e o trote de recuperação de quinta sem reclamar e ainda sobra orçamento para investir num supertênis de prova. Contra o Novablast 5: mais espuma e mais retorno, por preço proporcionalmente maior. Para quem treina sem competir em alto volume, o Corre 5 cobre o mesmo ciclo por menos da metade do investimento.
O meio de ano de 2026 deixou o recado: o supertênis deixou de ser artigo de luxo importado, e o trainer nacional ficou tecnicamente competitivo. Se o próximo objetivo é uma maratona de segundo semestre, o Corre Supra 2 entrega placa de carbono por pouco mais da metade do preço de um Alphafly 3. Se o objetivo ainda é construir base, o Corre 5 sustenta o ciclo inteiro sem comprometer o resto do orçamento.
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