O tênis que quebrou a última barreira — e o que o pódio de Londres 2026 ensina sobre como escolher o supershoe certo

O tênis que quebrou a última barreira — e o que o pódio de Londres 2026 ensina sobre como escolher o supershoe certo

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O corredor que leva performance a sério sabe que a escolha do tênis não começa na loja. Começa na leitura do percurso, na análise da própria passada e na pergunta honesta sobre o que aquele modelo vai entregar no km 35, não no km 5, quando qualquer supershoe parece bom.

O problema que o mercado criou para o maratonista amador de alto nível é exatamente esse: modelos cada vez mais agressivos tecnicamente, campanhas cada vez mais absolutas nas promessas e pouco contexto sobre onde cada tênis performa de verdade. Empilhar carbono e espuma de última geração não garante PR. O percurso onde você vai correr, o seu padrão de passada e o que acontece com a espuma depois do km 30 é que garantem, ou não. Cada Major cobra diferente. Boston cobra nas descidas de Newton e na Heartbreak Hill. Londres cobra na segunda metade plana, quando a espuma mais barata já cedeu e o retorno de energia que parecia garantido nos primeiros 20 km desaparece exatamente no momento em que o atleta mais precisa dele.

Como o entreesportes já mapeou em nossa análise dos supershoes de Boston 2026, o percurso técnico de Hopkinton expõe com precisão os limites de cada tecnologia. O Alphafly 4 entrega propulsão máxima mas pune quem perde postura depois do km 30. O Metaspeed Edge oferece previsibilidade para corredor de cadência, sem surpresas no percurso técnico. O Fast-R Nitro Elite 3 chegou a Boston com estudo científico sustentando 3,15% de melhora na economia de corrida, número sólido, histórico de elite ainda em construção. O Adios Pro 4 foi a aposta mais versátil, com 80,4% de retorno de energia e comportamento equilibrado nas descidas. Boston distribuiu as cartas entre quatro modelos com propostas distintas. Londres 2026 virou o baralho inteiro.

O percurso de Greenwich para o The Mall é plano, rápido e com vento lateral variável no trecho do Tamisa, o oposto de Boston em geometria mas igualmente severo com quem não chegou preparado. Em percurso plano e rápido, a armadilha é sair forte demais nos primeiros 20 km e chegar ao km 35 sem reserva de retorno de energia. É ali que a qualidade da espuma decide. E foi ali que o Adidas Adizero Adios Pro Evo 3 mostrou que saiu do laboratório para o percurso real com uma proposta diferente de tudo que existia antes. Sawe e Kejelcha, os dois primeiros, os dois na mesma marca, cruzaram o The Mall abaixo de duas horas no mesmo dia. Assefa quebrou seu próprio recorde feminino no mesmo modelo. Três resultados históricos, uma manhã, um tênis em sua estreia competitiva.

O Evo 3 chega ao mercado como o supershoe mais leve já homologado pela World Athletics para competição oficial, 97 gramas no tamanho 42, mantendo o stack de 39 mm que a regulamentação permite no calcanhar. Para chegar a esse número sem abrir mão da altura de entressola, a Adidas substituiu o sistema de hastes de carbono de edições anteriores por um reforço periférico em U, o EnergyRim, que percorre as bordas da espuma deixando o centro do antepé mais macio e propulsivo. A espuma em si é 50% mais leve do que a versão anterior, com melhora mensurável em retorno de energia no antepé. O resultado é um tênis que não perde consistência ao longo dos 42 km, o dado mais relevante para quem vai correr Londres, Berlim ou qualquer Major de percurso plano onde o pace não pode cair no segundo tempo. Confira disponibilidade e preço atual do Adidas Adizero Adios Pro Evo 3.

Tênis ADIZERO ADIOS PRO 3
Tênis ADIZERO ADIOS PRO 3

O que o pódio de Londres entregou além do recorde foi um mapa completo de como diferentes tecnologias se comportaram no mesmo percurso. Kiplimo, terceiro colocado masculino, foi ao The Mall com o Nike Alphafly 4,  mais pesado que o Evo 3 mas com stack duplo de Air Zoom no antepé e geometria comprovada em percursos rápidos desde Chicago 2023. Obiri, segunda no feminino, correu com um protótipo On LightSpray,  upper formado por robô em três minutos, tecnologia que ainda não tem data para o consumidor. Jepkosgei, terceira, usou um protótipo ASICS que provavelmente aponta para a quinta geração do Metaspeed Edge, com placa mais baixa e geometria ajustada para passada de frequência. O que o pódio completo de Londres mostra é que a corrida tecnológica entre as marcas não acabou, ela entrou em uma nova fase.

O comparativo direto entre os modelos disponíveis ao consumidor, cruzando o que cada um entregou em Boston e em Londres, está na tabela abaixo:

Supershoes 2026 — Boston vs Londres

ModeloComportamento em BostonComportamento em LondresPerfil ideal
Adidas Adizero Adios Pro Evo 3Alto retorno nas subidas · instável em descidas técnicasRetorno consistente até o km 42Antepé · sub-3h · cadência alta
Adidas Adizero Adios Pro 4Mais equilibrado · amortece nas descidasRetorno sólido · mais acessívelMédio-pé · 3h–4h · versátil
Nike Alphafly 4Propulsão explosiva · pune quem perde posturaMáxima propulsão · exige passada estávelSub-elite · antepé · 180+ spm
ASICS Metaspeed Edge ParisPrevisível · ideal para cadência altaConsistente · sem surpresasCorredor de cadência · 3h15–3h45
Puma Fast-R Nitro Elite 3+3,15% economia · eficiente no pelotãoConsistente · forte no feminino de eliteAvançado · antepé · alternativa ao Alphafly
On LightSpray (protótipo)2º lugar feminino 2:15:53Sem versão ao consumidor em 2026
ASICS ME5 TYPE-P (protótipo)3º lugar feminino 2:15:55Sem versão ao consumidor em 2026

A lição que o comparativo entre Boston e Londres entrega ao corredor que está escolhendo tênis para a temporada é direta: o Evo 3 é a tecnologia mais radical já lançada no mercado e entregou o resultado mais radical da história, mas é um tênis para perfil específico. Corredor de médio-pé que ainda está construindo o índice Boston, o Adios Pro 4 ou o Metaspeed Edge entregam performance real com mais margem de segurança para variações de postura. Quem já tem passada estável de antepé e cadência consistente acima de 175, o Evo 3 é o modelo com o argumento técnico mais robusto do momento.

O circuito das Majors agora olha para 24 de maio e para o percurso que pode mudar o mapa do atletismo mundial: a Sanlam Cape Town Marathon. Diferente de Londres e de qualquer Major atual, o percurso de Cidade do Cabo tem dois trechos de subida longa, o que muda completamente o cálculo entre um supershoe ultra-leve com estabilidade comprometida e um modelo mais pesado mas previsível em terreno variado. O Evo 3 chegou a Londres como resposta a um percurso plano e rápido. Cidade do Cabo vai fazer ao Evo 3 exatamente o que a Heartbreak Hill faz ao Alphafly 4: cobrar o preço da instabilidade em momento decisivo. E a prova carrega o peso histórico de ser a avaliação final para a primeira Major do continente africano, com Eliud Kipchoge na largada e 27.000 corredores que vão receber uma estrela provisória da Abbott WMM se a prova passar a avaliação no dia 24.

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Ficha Técnica — Adidas Adizero Adios Pro Evo 3

ItemDetalhe
ModeloAdidas Adizero Adios Pro Evo 3
Peso97g — tamanho 42 (primeiro supershoe legal sub-100g)
Stack calcanhar39 mm (máximo legal World Athletics)
Stack antepé36 mm
Drop3 mm
EntressolaLightstrike Pro Evo — 50% mais leve que versão anterior
Sistema de carbonoEnergyRim — reforço periférico em U (sem placa convencional)
Melhora economia de corrida+1,6% em relação ao Evo 2
Retorno de energia antepé+11% em relação ao Evo 2
UpperUltra-leve · inspirado em velas de kitesurf
OutsoleBorracha Continental — grip + peso mínimo
PreçoUS$ 500 / € 500
DisponibilidadeLançamento limitado em abr/2026 · release amplo no outono
Perfil idealAntepé · cadência alta · maratonistas sub-3h