Giro d'Italia 2026: Vingegaard mostrou no Blockhaus o que veio fazer — e a segunda semana começa com a crono que pode mudar tudo

Giro d’Italia 2026: Vingegaard mostrou no Blockhaus o que veio fazer — e a segunda semana começa com a crono que pode mudar tudo

Ciclismo

O ciclista que treina com medidor de potência sabe o que aconteceu no Blockhaus na sexta-feira. Faltavam 5 quilômetros para o topo quando Vingegaard saiu. Não foi ataque de nervoso. Foi ataque de quem calculou o momento exato, saiu na potência que sabia que ninguém no grupo ia responder, e não olhou para trás. O pelotão de favoritos assistiu. Afonso Eulálio, de rosa, sofreu até o limite — “sofri ao máximo, no final eu explodi”, disse o português na chegada e ainda assim manteve a liderança. Mas quem assistiu àqueles últimos quilômetros entendeu: a disputa pela Maglia Rosa nesta edição passa por um único ciclista.

A primeira semana começou longe de Itália. A Grande Partenza foi na Bulgária pela primeira vez na história, três etapas no país balcânico, com o sprint de Burgas na abertura dando a Paul Magnier a rosa e todas as jerseys de classificação no mesmo dia. A transferência para a Calábria com um dia de descanso e uma logística de até 17 horas foi o intervalo antes do jogo real começar. Em solo italiano, as etapas do sul entregaram o que prometiam: terreno controlado, com fugas para os atrevidos e o pelotão gerenciando para o primeiro grande teste. A 6ª etapa em Nápoles, num sprint caótico que terminou com Davide Ballerini vencendo em Nápoles, revelou o nome que reorganizou a corrida: Afonso Eulálio, da Bahrain Victorious, assumiu a liderança com uma vantagem que chegou ao Blockhaus intacta e saiu da montanha ainda de rosa, com a Maglia Bianca de melhor jovem também no bolso. Como o entreesportes já explicou em nossa análise sobre o que a Maglia Rosa representa no ciclismo de estrada e o que o Brasil tem a ver com isso, defender a rosa em subida de 13,6 km com trechos de 14% não é questão de classificação é questão de sobrevivência.

Hoje, sábado 16 de maio, a 8ª etapa vai de Chieti a Fermo, 157 km pela costa adriática das Marcas, com a primeira metade plana e a segunda tomada pelos muri. Para quem não conhece, muri são as pequenas subidas curtas e traiçoeiras do centro-leste italiano: gradientes de 20% que aparecem sem aviso, no asfalto estreito de estradas medievais, em sequência rápida que não deixa o grupo se reorganizar. Não é terreno de escaladores puros nem de sprinters é de ciclistas explosivos e ofensivos, que atacam quando o pelotão ainda está tentando entender o que aconteceu. Amanhã, domingo, a 9ª etapa vai de Cervia ao Corno alle Scale, 184 km com chegada nos últimos 3 km a cerca de 10%, o segundo teste de altitude antes do dia de descanso de segunda-feira.

Na terça-feira, 19 de maio, o Giro vira. O único contrarrelógio da prova é 42 km planos ao longo da costa da Toscana, entre Viareggio e Massa, com previsão de velocidades próximas a 56-57 km/h. É a etapa que vai reorganizar a classificação geral de forma definitiva. Quem chega à crono com mais de dois minutos sobre Vingegaard pode começar a calcular. Os demais precisam limitar o estrago. Para o ciclista que pedala com potência, sabe o que posição aerodinâmica significa em velocidade alta e entende a diferença entre um dia de crono com vento a favor e com vento de proa na costa toscana, essa etapa é onde a corrida pode decidir quem realmente disputa Roma.

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A segunda semana não para depois da crono. A 11ª etapa atravessa a Ligúria com a segunda metade pelas Cinque Terre, terreno ondulado com rampa final íngreme. A 12ª, entre Imperia e Novi Ligure, é a pausa para os sprinters pelo Vale do Pó. A 13ª leva o pelotão a Verbania, às margens do Lago Maggiore. E a 14ª, partindo de Aosta, é onde a semana mostra o que realmente tem: quatro escaladas pelo Vale de Aosta, com passagem por Saint-Barthélémy e chegada em Pilar, 15,9 km a 7,3% de inclinação média, em subidas que normalmente são percorridas em descida. É terreno de Vingegaard. É terreno onde a classificação geral pode assumir o formato que vai carregar até Roma.

O Giro d’Italia não é só resultado. É paisagem, história e o tipo de sofrimento que o ciclista de performance reconhece porque já sentiu uma versão menor disso na própria bike. Os muri das Marcas de hoje são os mesmos que aparecem nas estradas secundárias do interior da Itália que qualquer ciclista que já foi ao país treinou sem saber o nome. A costa toscana da crono de terça é a mesma que liga Viareggio a Massa pela Via Aurelia, com o mar à esquerda e os Alpes Apuanos à direita. Aosta na 14ª é o Vale que abre para o Gran Paradiso e para as mesmas montanhas que o Tour de France vai cruzar em julho pelos Alpes franceses, mas sem o turismo de verão, com as estradas para o pelotão e a neve ainda visível nos picos.

Faltam 14 etapas para Roma. O Blockhaus já disse o que precisava dizer sobre quem tem mais pernas. A crono de terça vai dizer o quanto. E as Dolomitas da terceira semana, com o Passo Giau a 2.236m e o Piancavallo subido duas vezes na penúltima etapa, vão dizer quem chegou até lá inteiro. O Giro 2026 tem Maglia Rosa portuguesa, o favorito dinamarquês mostrando músculo e 48.700 metros de altimetria acumulada esperando por mais duas semanas. É o tipo de corrida que o ciclista de performance acompanha etapa por etapa porque cada dia entrega uma lição de como o esporte de resistência funciona quando está no nível mais alto do mundo. Acompanhe em giroditalia.it.

ItemDetalhe
Nome oficial109ª Giro d’Italia
Período8 a 31 de maio de 2026
Maglia RosaAfonso Eulálio (Bahrain Victorious)
Vencedor 7ª etapaJonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) — Blockhaus
Maglia CiclaminoPaul Magnier (Soudal Quick-Step)
Maglia AzzurraDiego Pablo Sevilla (Polti Visit Malta)
Maglia BiancaAfonso Eulálio (Bahrain Victorious)
Distância total3.468 km — 21 etapas
Altimetria acumulada48.700 metros
Site oficialgiroditalia.it

Etapas desta semana

EtapaDataPercursoTipoKmDesnível
16/05 hojeChieti — FermoMuri — explosiva157 km1.900m
17/05Cervia — Corno alle ScaleMédia montanha184 km2.351m
Descanso18/05
10ª19/05Viareggio — Massa (ITT)Contrarrelógio42 km105m
11ª20/05Porcari — ChiavariMédia montanha187 km2.939m
12ª21/05Imperia — Novi LigurePlana/sprint177 km2.131m
13ª22/05Alessandria — VerbaniaPlana/média188 km1.326m
14ª23/05Aosta — PilaAlta montanha133 km4.400m
15ª24/05Voghera — MilãoPlana/sprint156 km612m

O ciclismo nacional também tem fim de semana grande

Enquanto o Giro leva o pelotão para os muri das Marcas e o Corno alle Scale, o ciclismo brasileiro tem dois cenários completamente diferentes esperando pelo próximo fim de semana. Em São Paulo, o Autódromo de Interlagos recebe na noite de sábado, 23 de maio, a 3ª edição noturna do BTG Pactual Bike Series Interlagos  e pedalando no traçado oficial da Fórmula 1 de noite, com 120 torres de iluminação ao longo dos 4.250 metros do circuito em sentido anti-horário, é o tipo de experiência que nenhum treino no asfalto da cidade consegue reproduzir. O S do Senna, a Curva do Laranjinha, a reta dos Boxes, os mesmos trechos que definiram campeonatos mundiais de automobilismo, agora com ciclistas em cada curva, a largada às 19h e 2 horas mais uma volta para completar o maior número de giros possível, no formato solo ou dupla. Para quem quer saber como é pedalar no mesmo asfalto de Senna sem precisar de um cockpit de F1, Interlagos no sábado à noite é a resposta mais acessível que existe.

BTG Pactual Bike Series Interlagos
BTG Pactual Bike Series Interlagos

Em Minas Gerais, o cenário é o oposto — e é igualmente sério. De 22 a 24 de maio, Nova Lima recebe a segunda edição do Sertões MTB Nova Lima, a prova que traz o DNA do maior rally das Américas para as trilhas da cidade que é um dos berços do mountain bike no Brasil. O formato são três dias de disputa: o primeiro dedicado ao prólogo individual em contrarrelógio, que define quem larga de camisa de líder nos dois dias seguintes. O percurso principal tem cerca de 50 km por dia para bicicletas convencionais, com trilhas técnicas pelas montanhas da região metropolitana de BH, a mesma região onde o Enduro de Regularidade nasceu no fim dos anos 1970 e onde o mountain bike se consolidou como esporte antes de qualquer outra cidade do país. São 26 categorias no total, 11 para bikes convencionais, 15 para e-bikes, com sinalização inspirada no rally que antecipa os trechos técnicos antes que o ciclista chegue neles. Para quem está na região e pedala MTB com consistência, Nova Lima neste fim de semana é prova de quintal com nível nacional.

entreesportes.

Sertões MTB Nova Lima
Sertões MTB Nova Lima