A Praia da Reserva com 15°C e 17 mil corredores na largada. O percurso que esteve fora do calendário por sete anos voltou por inteiro: Avenida Niemeyer, São Conrado, Leblon, Ipanema, Copacabana, Aterro do Flamengo e a etíope Gadise Mulu Demissie cruzou a linha de chegada em 2h25min47s, quebrando com quatro minutos o recorde de maratonas de rua realizadas no Brasil. No masculino, Tsegaye Getachew fez 2h10min22s. Um segundo acima do recorde nacional. O Rio acabou de sediar a edição mais rápida da sua história.
A Maratona do Rio de 2026 encerrou sua maior edição desde a criação do evento, em 2003. Cerca de 70 mil participantes distribuídos ao longo de quatro dias: 5K na quinta-feira no Aterro do Flamengo, 10K na sexta com largada na Marina da Glória, 21K no sábado com saída no Leblon, 42K no domingo com saída na Reserva. O festival que há dois anos a consultoria britânica Brand Finance classificou como a 11ª maratona mais relevante do mundo entregou, em 2026, uma edição que vai ser referência por anos. A prova recebeu o Permit 15/2026 com Selo Ouro e Selo Elite Label da World Athletics e o que aconteceu dentro do percurso na manhã de domingo justificou cada centavo investido para montar esse nível de elite.
O novo percurso, ou melhor, o percurso que voltou é a chave para entender os tempos desta edição. A Avenida Niemeyer, fechada por deslizamentos e reaberta recentemente, estava no traçado da Maratona do Rio nas décadas de 1980 e 1990 e sumiu das edições seguintes. Com ela de volta, a prova passou a ter um trecho elevado com vista para o mar entre São Conrado e o Leblon que não tem equivalente em nenhuma outra maratona urbana do país e que, ao mesmo tempo, exige do corredor uma leitura de percurso mais atenta. Como o entreesportes analisou antes da prova em nossa cobertura sobre o retorno do percurso clássico e o que a orla carioca inteira muda na equação, o ganho em beleza e em contexto histórico é real e o ganho em velocidade também, para quem administrou o trecho da Niemeyer com inteligência.
A elite masculina confirmou essa leitura. O etíope Tsegaye Getachew cruzou a linha de chegada em 2h10min22s, a um segundo do recorde de maratonas realizadas em circuito aberto no Brasil, que pertence ao queniano Daniel Kiprono Sang desde a Maratona de Porto Alegre. A diferença entre os dois primeiros foi de dois segundos: Antenyaehu Dagnachew Yisma terminou em 2h10min24s. Getachew saiu conservador na Niemeyer, recuperou o pace na descida para o Leblon e manteve a consistência até o Aterro. É a estratégia que qualquer especialista em maratona desenharia para esse percurso e ele executou com a precisão de quem tem 2h04min18s de recorde pessoal.
No feminino, o que aconteceu foi além do resultado. A etíope Gadise Mulu Demissie completou os 42K em 2h25min47s, estabelecendo o novo recorde de maratonas de rua realizadas no Brasil, quebrando com 4 minutos de margem a marca anterior de 2h29min48s. As sete primeiras colocadas foram etíopes. As oito primeiras chegaram abaixo de 2h29min48s, o que até ontem era a melhor marca já registrada em território brasileiro em provas femininas. Gadise passou mal após cruzar a linha e precisou de atendimento médico imediato na área de chegada, mas se recuperou. “A atmosfera da prova é única. O público acompanha os atletas do início ao fim e isso faz toda a diferença”, disse a campeã após o atendimento.
Resultados completos — 42K Maratona do Rio 2026
Masculino
| Pos. | Atleta | País | Tempo |
|---|---|---|---|
| 1º | Tsegaye Getachew | Etiópia | 2h10min22s |
| 2º | Antenyaehu Dagnachew Yisma | Etiópia | 2h10min24s |
| 3º | Daniel Mesfun Teklebrhan | EUA | 2h10min45s |
| 4º | Mustapha Houdadi | Marrocos | 2h10min51s |
| 5º | Victor Kipchirchir | Quênia | 2h11min02s |
| 10º | Melquisedeke Messias Ribeiro | Brasil | 2h16min48s |
Feminino: Novo recorde de maratonas de rua em circuito aberto no Brasil — feminino
| Pos. | Atleta | País | Tempo |
|---|---|---|---|
| 1ª | Gadise Mulu Demissie | Etiópia | 2h25min47s ⚡ Recorde |
| 2ª | Tirfi Tsegaye Beyene | Etiópia | 2h26min03s |
| 3ª | Azmera Abrha Gdey | Etiópia | 2h26min20s |
| 4ª | Affera Godfay Berha | Etiópia | 2h26min37s |
| 5ª | Zinash Debebe | Etiópia | 2h26min55s |
| 11ª | Amanda Aparecida de Oliveira | Brasil | 2h38min58s |
Quinta-feira, 4 de junho — 5K. Aterro do Flamengo. Fábio Jesus Correia cruzou a linha primeiro com 14min19s e levou o tetracampeonato da distância. O mesmo corredor que dois dias depois abriria o sábado com um recorde pessoal nos 21K. Cerca de 10 mil corredores na prova mais curta do evento.
Sexta-feira, 5 de junho — 10K. Largada na Marina da Glória, mais de 13 mil participantes. Os resultados individuais da elite ainda [VERIFICAR — não publicados na fonte até o fechamento desta edição].
Sábado, 6 de junho — 21K. A maior prova do evento em número de participantes: cerca de 26 mil corredores. Largada no Jardim de Alah, no Leblon, às 5h30. Fábio Jesus Correia voltou a largar — dois dias depois do 5K — e chegou em 1h01min53s, seu recorde pessoal para a distância e novo líder do ranking nacional da meia maratona em rua. A vitória foi decidida nos metros finais: apenas dois segundos separaram Correia do segundo colocado queniano. No feminino, a queniana Margret Gati Chacha venceu com 1h11min11s. A melhor brasileira foi Maria Lucineida da Silva Moreira, em quarto lugar, com 1h15min45s. A prova recebeu o Permit 14/2026 com Selo Ouro CBAt.
Desafio Cidade Maravilhosa — 21K + 42K. Quem assinou os dois dias recebeu uma terceira medalha. 21K no sábado, 42K no domingo — 63,192 km em menos de 24 horas sobre a orla carioca. Fábio Jesus Correia completou o desafio: tetracampeão do 5K na quinta, campeão do 21K no sábado, e ainda cruzou os 42K no domingo. Três provas em quatro dias. Não é improviso — é gestão de esforço no mais alto nível do atletismo nacional.
O corredor que esteve no Rio neste fim de semana não correu só uma maratona. Percorreu São Conrado com o mar à esquerda e a pedra da Gávea à direita, subiu a Niemeyer com o vento da Zona Sul quebrando na falésia, desceu para o Leblon com o ritmo que tinha planejado e entrou em Ipanema e Copacabana com a torcida nos dois lados da calçada. A chegada na Marina da Glória, ao final de quatro quilômetros de Aterro do Flamengo com o Pão de Açúcar no fundo, não tem equivalente no circuito nacional. Quem foi entendeu por que 75% dos inscritos são de fora do município do Rio — e por que a cidade move em média R$ 587 milhões em torno do evento. A semana da Maratona do Rio não é a semana de uma prova. É a semana do Rio de Janeiro como destino esportivo de alto nível.
O que a edição 2026 consolida é o posicionamento da Maratona do Rio como o maior festival de corrida da América Latina, não apenas em número de inscritos, mas em nível técnico, estrutura de elite e capacidade de atrair as melhores maratonistas do mundo para correr no Brasil. Com Label World Athletics, premiação de US$ 270 mil (a maior já oferecida por uma corrida de rua na América Latina), percurso inédito e dois novos referenciais históricos no feminino, a prova fecha 2026 em outro patamar.
A próxima edição já tem data. Se você correu ontem, sabe o que vai sentir quando as inscrições de 2027 abrirem. Se você ainda não foi ao Rio para correr, a pergunta não é mais se vai é como vai se preparar para aproveitar o percurso do jeito que ele merece.
entreesportes.
