Todo triatleta sério do estado de São Paulo tem a SP-148 no GPS. Não porque seja obrigação, porque em algum sábado de manhã alguém falou “vamos treinar na Estrada Velha” e depois não teve outro jeito de encarar a piscina coberta com o mesmo respeito. A Represa Billings, o acostamento da serra e a corrida saindo direto da transição sem precisar montar estrutura em lugar nenhum. É o único endereço do Grande São Paulo onde o triatleta faz uma sessão de Olímpico completa a 45 minutos da capital.
A Estrada Velha de Santos, Rodovia Caminho do Mar, SP-148, trecho do Riacho Grande em São Bernardo do Campo, não precisa de prova para existir no calendário do triatleta paulistano. Existe nos simulados semanais da WTRI Sports. Existe nos grupos de WhatsApp que combinam saída às 6h no sábado com boias e bike já na transição. Existe no hábito de quem treina águas abertas na Billings com temperatura que varia de 18°C a 24°C dependendo da estação, nada com o perfil da serra como referência de sighting e pedala o acostamento com a altimetria real da Serra do Mar cobrando cada watt. A Billings tem 127 km² de espelho d’água, é o maior reservatório da Grande São Paulo e durante décadas foi o endereço preferido do triatleta paulistano para simular provas sem precisar de largada oficial. Quando a Blue Special Edition voltou à Estrada Velha em outubro de 2025 com mais de 3.000 atletas, o número não surpreendeu quem frequenta aquela estrada todo fim de semana. Surpreendeu quem não sabia quantos triatletas treinam ali sem precisar de largada para justificar a presença.
A Billings não é só o palco do triatleta. É o endereço de um ecossistema esportivo aquático que vai muito além das transições de neoprene e bike. A Federação Aquática Paulista usa a represa como sede de etapas do Campeonato Paulista de Maratonas Aquáticas, provas de 2,5km e 5km em circuito aberto, com nadadores de 15 equipes e alcance nacional. O SP Swim, organizado pela própria WTRI Sports, coloca nadadores solos e em equipe nas distâncias de 5km e 10km nas mesmas águas onde o triatleta treina natação todo sábado. O SP a Nado, organizado pela FAP em parceria com a Prefeitura de São Bernardo, reúne 810 inscritos em três distâncias — 500m, 1.000m e 2.000m — e inaugurou o primeiro Centro de Treinamento em Águas Abertas do estado de São Paulo nas margens do Riacho Grande, com piscina de 25m e acesso direto à represa. A Billings também é palco de SUP e canoagem: em abril de 2026, o Green Islands reuniu 180 remadores de quatro estados como etapa oficial do Circuito Paulista de SUP/Paddleboard e da Copa São Paulo de Canoagem, com percursos de 3km, 6km e 12km no braço do Rio Pequeno, cercados pela Mata Atlântica do Parque Estadual da Serra do Mar.
O Blue Special Edition é o evento que formaliza o que os atletas já fazem na Estrada Velha há anos. A prova existe em dois momentos no calendário em maio e outubro e cada edição tem uma proposta distinta para o mesmo percurso. Em maio, o outono paulistano resfria a Billings para entre 18°C e 20°C, o frio da água é parte da prova antes mesmo do primeiro sighting, e o Standard com 50km de ciclismo e 9km de corrida em duas voltas de 5km com 166m de elevação acumulada cobra nos últimos 3km o que a gestão de potência no pedal não executou direito. Em outubro de 2025, com apoio inédito da Prefeitura de São Bernardo, a prova voltou ao calendário oficial após seis anos de ausência com 3.000 atletas, o retorno que o triatleta paulistano esperava mas que quem frequenta a Estrada Velha toda semana sabia que era inevitável. Em outubro de 2026, o Blue Long Distance leva ao mesmo percurso a distância de 1.900m de natação, 90km de ciclismo e 21km de corrida, pela primeira vez na Estrada Velha, a distância longa no terreno que o triatleta paulistano mais conhece.
Pra quem vai encarar a Billings, principalmente no outono/ inverno, sabe que o neoprene não é preferência, é decisão técnica. A Represa Billings é um reservatório de água doce com 127 km² de espelho d’água e profundidade média de 8 metros, o que cria uma massa térmica que resfria lentamente no outono e mantém temperatura consistentemente mais baixa do que a superfície sugere. Em maio, a água fica entre 18°C e 20°C, resultado direto da massa de ar frio que chega pela Serra do Mar nessa época e da ausência de correntes que distribuam o calor de forma homogênea. A visibilidade subaquática é baixa, característica natural de reservatório com alta concentração de matéria orgânica, o que muda a percepção de profundidade e o padrão de respiração de quem nunca treinou fora da piscina. Segundo as regras da World Triathlon, o neoprene é liberado para atletas amadores quando a temperatura está abaixo de 22°C em provas com até 1.500m e abaixo de 23°C em provas com até 3.000m. Na Billings em maio, a roupa não é só permitida: é o que impede que o atleta gaste energia termorregulando nos primeiros 500m e chegue ao ciclismo já com déficit calórico antes de pedalar 25km ou 50km com a altimetria da Serra do Mar. A espessura máxima permitida é 5mm. Para as condições da Billings nessa época, modelos entre 3mm e 4mm com manga longa equilibram isolamento térmico e liberdade de braçada, o que o atleta não quer é sacrificar a técnica de nado para se aquecer.
A REALON Roupa de Mergulho CR Triathlon 3mm entra exatamente nesse contexto: neoprene de pele lisa CR com zíper nas costas, o material de pele lisa reduz o arrasto na superfície e a construção de 3mm entrega isolamento sem o peso e a rigidez de modelos mais espessos, dentro do limite regulamentar e com flutuabilidade que eleva o quadril e as pernas na posição correta sem exigir que o atleta trabalhe contra a gravidade durante toda a natação. Cada grama de energia economizada na água aparece nos últimos 3km de corrida.
Nessa época do ano, a roupa não é só permitida: é o que impede que o atleta gaste energia termorregulando nos primeiros 500m e chegue ao ciclismo já com déficit calórico antes de pedalar 25km ou 50km com a altimetria da Serra do Mar. A espessura máxima permitida é 5mm. Para as condições da Billings nessa época, modelos entre 3mm e 4mm com manga longa equilibram isolamento térmico e liberdade de braçada, o que o atleta não quer é sacrificar a técnica de nado para se aquecer.
O segundo item é obrigatório e inegociável em qualquer natação na Billings: a boia de sinalização. Em reservatório com embarcações, baixa visibilidade subaquática e distância de margem, a boia laranja de 20L em PVC resistente à água não é acessório é o que torna o nadador visível para o caiaque de segurança e para qualquer embarcação que divida o espelho d’água. O sistema de fechamento hermético transforma a boia num compartimento estanque que protege celular, chave do carro e documentos durante toda a natação, sem peso extra na braçada e sem interferência no nado, a boia flutua atrás do atleta presa ao tornozelo por cordão ajustável, some na percepção depois dos primeiros 200m e está lá quando o resgate precisa localizar alguém. Para quem treina na Billings todo sábado, a Boia de Sinalização 20L com compartimento estanque resolve dois problemas num único item: segurança visível na água e guarda-volumes flutuante para os pertences que não podem ficar na transição. Não entra na Billings sem ela.
Quem marca o simulado na Estrada Velha para as 6h do sábado não está buscando estrutura de prova. Está buscando o terreno real. A natação acontece na Billings com água escura, temperatura de lago e ausência de linha no fundo, o sighting é feito com o perfil da serra como referência, e o atleta que só nadou em piscina coberta descobre na primeira braçada que o esforço de manter a direção em águas abertas não existe nos treinos em raia. A WTRI Sports monta balizas no reservatório e acompanha os grupos com caiaque de segurança, mas a Billings cobra atenção desde o primeiro metro: a profundidade do reservatório, a variação de temperatura entre a superfície e os primeiros metros e a falta de fundo visível mudam o padrão de respiração e de ritmo de quem nunca treinou fora da piscina. Quem vai pela primeira vez descobre que nadar bem em piscina e nadar bem na Billings são habilidades que se constroem juntas mas não se substituem. A saída da água leva direto para a área de transição montada no acostamento da SP-148, sem deslocamento, sem perda de tempo, com a bike já posicionada e o calçado de ciclismo no lugar certo. O pedal começa com altimetria imediata: a SP-148 sobe em direção à Serra do Mar logo nos primeiros quilômetros, e quem não calibrou o esforço na saída da água vai sentir as pernas cobrar cedo. O acostamento asfaltado e isolado do tráfego é o que torna o percurso único no ABC paulista, não existe outro endereço na Grande São Paulo com essa combinação de segurança, altimetria e extensão. As assessorias que treinam ali semanalmente usam o percurso para simular exatamente o que o atleta vai encontrar em provas de nível Olímpico: subida sustentada, descida técnica e a acumulação de esforço que aparece na corrida quando os quadríceps já entregaram no pedal. O w/kg que o atleta consegue sustentar na SP-148 é o número mais honesto que ele vai ter sobre o estado real da forma antes de uma prova. A corrida sai direto da segunda transição no mesmo acostamento e entrega o que a altimetria reserva para quem chegou até aqui: 83m de elevação por volta num percurso que não tem trecho plano longo o suficiente para recuperar o ritmo. Quem gerenciou mal a potência no pedal chega na corrida com as pernas já sem reserva e descobre que a Estrada Velha cobra os últimos 2km com a mesma inclinação que cobrou os primeiros.
O que o atleta encontra depois do último quilômetro
Quem treina na Estrada Velha todo sábado conhece o ritual: termina a corrida, coloca a bike no carro e vai para o Mirante ou para o Rei do Abadejo. O Mirante Restaurante, no km 34,5 da SP-148, é o ponto de convergência das assessorias depois dos simulados longos, almoço de recovery, mesas grandes para grupos, vista da Serra do Mar e uma lógica de funcionamento que se ajustou ao horário do triatleta ao longo dos anos. O Rei do Abadejo, no km 32, é patrimônio afetivo do ciclismo paulista: frutos do mar, pratos pesados para quem acabou de gastar três horas de energia na serra, e aquela cultura raiz de quem frequenta a Estrada Velha há décadas, antes de qualquer prova oficial. O Recanto do Mineiro serve café da manhã reforçado e é a parada rápida de quem chega cedo e precisa de combustível antes de subir. O Restaurante Flutuante Netuno, no km 35,5, é a opção para quem quer o recovery social, almoço pós-longão com vista para a represa, funciona bem para grupos grandes e confraternizações de fim de temporada. Para quem prefere encerrar com café em vez de almoço, o Café 1922 está dentro do Parque Caminhos do Mar no histórico Pouso Paranapiacaba: café premium, visual da Baixada e a atmosfera de uma parada que existia antes do ciclismo moderno e que o esporte redescobriu. O Sub8 Coffee & Ride em Santos fecha o circuito para quem desce a serra depois do treino e quer encerrar o dia com café specialty e conversa de assessoria do lado paulista do oceano.
A Represa Billings e a Estrada Velha não viraram destino esportivo agora. Sempre foram. O que mudou é que o calendário oficial finalmente reflete o que o triatleta paulistano já sabia: aquele trecho da SP-148 em Riacho Grande é o melhor endereço de triathlon do estado de São Paulo. Em 2026, com provas em maio, outubro e novembro, essa afirmação deixou de ser consenso entre quem treina ali todo sábado e passou a ser fato no calendário. O Blue Special Edition em maio, o Blue Long Distance em outubro, o SP a Nado e os eventos da FAP distribuídos ao longo do ano, a Estrada Velha virou campus endurance com calendário próprio. O triatleta que ainda não foi sabe o que o está esperando. O que já foi sabe que vai voltar.
entreesportes.
Ficha Técnica — Eventos Esportivos na Represa Billings e Estrada Velha 2026
| Evento | Data | Modalidade | Distâncias | Organização |
|---|---|---|---|---|
| Blue Special Edition | 24/05/2026 | Triathlon, Aquathlon, Águas Abertas | Sprint, Standard, 500m–2km | TUBIG Sports |
| Blue Long Distance | 18/10/2026 | Triathlon Longa Distância | 1.900m + 90km + 21km | TUBIG Sports |
| SP a Nado | Maio/2026 | Natação Águas Abertas | 500m, 1.000m e 2.000m | FAP / Pref. SBC |
| Campeonato Paulista Maratonas Aquáticas | Outubro | Natação Águas Abertas | 2,5km e 5km | FAP |
| SP Swim | Dezembro | Natação Águas Abertas | 5km e 10km | WTRI Sports |
| Green Islands | Abril/2026 | SUP, Paddleboard, Canoagem, Va’a | 3km, 6km e 12km | Suporte Eco |
| Simulados WTRI Sports | Semanais (sábados) | Triathlon completo | Olímpico | WTRI Sports |
Onde comer e parar na Estrada Velha
| Local | Km | Perfil |
|---|---|---|
| Recanto do Mineiro | SP-148, 1555 | Café da manhã reforçado, parada rápida antes da subida |
| Rei do Abadejo | Km 32 | Frutos do mar, cultura raiz do ciclismo paulista, pós-simulado longo |
| Mirante Restaurante | Km 34,5 | Ponto de convergência das assessorias, almoço de recovery para grupos |
| Restaurante Flutuante Netuno | Km 35,5 | Recovery social pós-longão, grupos grandes, vista para a represa |
| Café 1922 | Parque Caminhos do Mar | Café premium, visual da Baixada Santista, lifestyle endurance |
| Sub8 Coffee & Ride | Santos | Café specialty pós-treino, cultura cycling coffee shop |
