Urubici tem um jeito próprio de receber. Às vezes é com a neblina baixa que fecha o horizonte logo cedo. Às vezes com aquele céu aberto que parece maior do que deveria ser. Em maio, quase sempre com frio que acorda o corpo antes do alarme e o termômetro não avisa quando vai bater negativo. É nesse clima que a Mons Ultra Trail chega pela primeira vez à Serra Catarinense, de 29 a 31 de maio. O que circula entre os atletas inscritos já não é só antecipação. É planejamento de como não congelar antes do km 5.
Urubici em maio não avisa. A neblina fecha o horizonte antes das 6h, o termômetro pode bater negativo na madrugada da largada e o clima da Serra Catarinense muda em minutos, de sol pleno a vento cortante sem transição. Não é variável climática. É parte do percurso. O 50K larga às 6h do sábado com 2.139m de desnível positivo, campos de altitude, matas de araucárias e as escarpas da Serra Geral num terreno que exige decisão a cada passada. O atleta que chega em Urubici sem a jaqueta anorak impermeável, a manta térmica aluminizada e o apito na mochila não larga a checagem de equipamento obrigatório acontece na retirada de kits e na largada, sem exceção. Em campo de altitude com frio real, esses itens saem da categoria burocracia e entram na categoria protocolo. A Serra Catarinense não perdoa quem chegou despreparado.
A Mons nasceu nas subidas íngremes de Nova Trento em 2021 e quem conhece o circuito sabe o que isso significa: uma organização que não suaviza o terreno para vender inscrição, que coloca Coca-Cola, paçoca e bananinha nos postos avançados porque sabe o que o corpo pede depois de 30km de montanha, e que em cinco anos construiu uma das comunidades de trail mais fiéis do Sul do Brasil. Em Urubici, chega com o mesmo DNA num terreno diferente. Campos de altitude, matas de araucárias e as escarpas da Serra Geral substituem as rampas de Nova Trento, o percurso começa e termina na Paróquia Nossa Senhora Mãe dos Homens, no centro da cidade, e chega a 1.600 metros de altitude. O 50K acumula 2.139m de desnível positivo distribuídos em seis postos do km 5,5 ao km 45,2. O 25K larga às 8h com 1.126m de desnível.
Quem vai a Urubici em maio e descobre o que a Serra Catarinense entrega já sabe o que vai acontecer em agosto: o DesaFRIO chega ao Morro da Igreja com mais 21 anos de história e 1.822 metros de altitude, e em novembro a Mons volta em casa, em Nova Trento, com as 100 e 200 milhas que fecham a temporada mais completa que o trail catarinense já teve num único ano. A Serra Catarinense não é um destino esportivo. É uma temporada inteira e 2026 é o ano em que o calendário finalmente faz jus ao terreno.
O equipamento obrigatório para o 50K e o 25K não é lista de burocracia é o protocolo de sobrevivência que o frio de Urubici impõe. A checagem acontece na retirada de kits e na largada: sem todos os itens, o atleta não larga. Recipiente com água de mínimo 500ml, celular carregado com crédito e contato de emergência na agenda, apito, jaqueta impermeável tipo anorak e manta térmica aluminizada. Em campo de altitude com neblina e temperatura negativa, esses itens saem da categoria “exigência regulamentar” e entram na categoria “o que vai fazer diferença se o clima fechar no meio do percurso”. A jaqueta corta-vento em poliéster resistente à água protege do vento e do frio e o amarelo neon garante visibilidade quando a neblina fecha. A manta ninguém quer usar, mas sem ela na mochila, o atleta não larga. Tudo isso precisa de um lugar certo para ficar durante a corrida. A INOXTO Mochila Colete resolve esse problema: leve, com isolamento térmico, compatível com bexiga de água de 1,5L e bolsos para acomodar a manta, o apito, o celular e a jaqueta sem comprometer o movimento. É o tipo de mochila que some nas costas quando a trilha está exigindo tudo o que você tem e que você vai querer ter quando a Serra Catarinense decidir mostrar do que é capaz.

O tempo limite do 50K é de 11 horas, até as 17h do sábado. O pace médio necessário para completar dentro do limite é 12min28s/km, o que parece folgado até o atleta colocar 2.139m de desnível acumulado na conta. Em montanha real, esse número representa horas de esforço contínuo onde a gestão de energia define quem chega bem nos últimos 10km e quem sobrevive até a linha. O frio de Urubici adiciona uma variável que o trail de baixa altitude não tem: o corpo gasta mais energia para manter a temperatura corporal, o que antecipa a depleção de glicogênio silenciosamente. Quem não ajustou o protocolo de carboidrato para o clima frio descobre isso entre o km 28 e o km 36, exatamente onde o percurso ainda tem os trechos mais exigentes pela frente. Como o entreesportes aprofundou em nossa análise sobre como usar carboidratos, beta-alanina e nitratos para retardar a fadiga e ir mais longe, o protocolo de reposição energética em provas de altitude exige ajuste específico e quem não treinou isso antes da largada vai descobrir na trilha.
Urubici: o que o atleta encontra que o turista de verão nunca vê
Urubici não costuma aparecer nos destinos de trail do Sudeste. Fica a 145km de Florianópolis pela BR-282, com os últimos quilômetros subindo a Serra do Rio do Rastro, uma das estradas mais espetaculares do Brasil, com 256 curvas em 12km de ascensão. Quem chega na quinta-feira para a retirada de kits na sexta (29/05) encontra uma cidade de 12 mil habitantes que vive o inverno como protagonista, não como adversário. O Rio Canoas, que corta o centro, tem as águas mais frias da Serra Catarinense e é o endereço de recovery mais direto que o atleta vai encontrar depois da prova. A Cachoeira do Avencal, a 12km do centro, despenca 60 metros sobre uma parede de pedra com névoa constante, o tipo de cenário que o trail runner acessa depois de horas de corrida com a paisagem como recompensa. Para o jantar de carboidrato na véspera, Urubici tem a fondue de queijo e a carne no bafo do interior serrano, a gastronomia que o inverno catarinense forjou ao longo de décadas de colonização europeia.
O que a estreia da Mons em Urubici significa para o trail brasileiro vai além do evento em si. É o reconhecimento de que a Serra Catarinense tem infraestrutura, personalidade e terreno para sediar provas de alto nível, não como destino emergente, mas como endereço consolidado que o circuito nacional demorou para descobrir. O atleta que vai a Urubici neste fim de semana vai encontrar uma prova inaugural com todos os elementos que fazem uma prova voltar ao calendário ano após ano: terreno honesto, frio real, uma cidade que recebe o esporte com seriedade e um desafio que, para os melhores do dia, tem o endereço de chegada nos Alpes suíços.
entreesportes.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Nome oficial | Mons Ultra Trail Urubici 2026 |
| Edição | 1ª edição em Urubici |
| Datas | 29 a 31 de maio de 2026 |
| Local | Urubici, SC — Serra Catarinense |
| Largada/Chegada | Paróquia Nossa Senhora Mãe dos Homens — centro de Urubici |
| 50K | Largada 30/05 às 6h — 2.139m D+ |
| 25K | Largada 30/05 às 8h — 1.126m D+ |
| 12K | Largada 30/05 |
| 6K e Kids | 31/05 — Urubici em Movimento (inscrição gratuita) |
| Altitude máxima | 1.600 metros |
| Tempo limite 50K | 11 horas — até 17h do sábado |
| Pace mínimo | 12min28s/km |
| Equipamento obrigatório | Recipiente 500ml, celular carregado, jaqueta anorak impermeável, apito, manta térmica aluminizada, atestado médico, termo de responsabilidade |
| Desafio Sierre-Zinal | Campeão/ã abaixo de 4h15/5h15 ganha viagem à Suíça (Thyon-Dixence 2/08 + Sierre-Zinal 8/08) |
| Clima previsto | Frio intenso, possibilidade de temperatura negativa, neblina |
| Inscrições | ticketsports.com.br / vemcorrer.com |
| Site oficial | monsultratrail.com.br/urubici |
DesaFRIO: 21 edições no Morro da Igreja e Urubici já tem outro compromisso em agosto
Quem chega na Mons em maio e gosta do que encontra em Urubici já tem motivo para voltar. No dia 1º de agosto, a cidade recebe o 21º DesaFRIO Urubici, evento que existe há mais de duas décadas e que consolidou o Morro da Igreja, a 1.822 metros de altitude, como um dos percursos mais icônicos do mountain running brasileiro. Os 50km combinam asfalto, estrada de chão, trilhas e subidas até o ponto mais alto da Serra Catarinense. Os 24km têm perfil predominantemente em descida, largando do próprio alto da serra, com transporte dos atletas organizado pela prova. Os 10km entregam a experiência de Urubici em formato mais acessível, sem abrir mão do clima e da paisagem que fazem o evento durar 21 edições. O DesaFRIO tem largadas escalonadas às 7h30 (50km), 7h45 (10km) e 9h (24km), com premiação às 19h no Salão Paroquial. Para quem vai planejar o segundo semestre com critério, Urubici aparece duas vezes no mesmo mapa: maio com a Mons e agosto com o DesaFRIO. Inscrições em eventos.ecorunning.com.br.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Nome oficial | 21º DesaFRIO Urubici 2026 |
| Edição | 21ª edição |
| Data | 1º de agosto de 2026 (sábado) |
| Local | Rua Boanerges Pereira de Medeiros, Centro — Urubici, SC |
| 50K | Largada 7h30 — percurso asfalto + estrada + trilha até o Morro da Igreja |
| 10K | Largada 7h45 |
| 24K | Largada 9h — perfil em descida, largada no Morro da Igreja (transporte incluso) |
| Mini DesaFRIO | Largada 15h — crianças e jovens |
| Altitude máxima | 1.822 metros — Morro da Igreja |
| Premiação | 19h — Salão Paroquial |
| Inscrições | eventos.ecorunning.com.br |
| Organização | EcoRunning — 30 anos de história |
