Cape Town 2026: recorde esmagado, colapso dramático e a África de vez no mapa das Majors — e o domingo não parou por aí

Cape Town 2026: recorde esmagado, colapso dramático e a África de vez no mapa das Majors e o domingo não parou por aí

Maratona

África do Sul, o vento vindo do Atlântico, a Table Mountain ainda com neblina baixa, 27 mil corredores na largada do Green Point. O continente africano esperava esse dia há anos. Quando Huseyidin Mohamed Esa cruzou a linha em 2:04:55 e destruiu em 3 minutos e 21 segundos o recorde do percurso, não foi só uma maratona que terminou, foi o início de uma nova era para o atletismo africano de fundo.

Cape Town não é uma prova fácil de ganhar. O percurso tem 260 metros de altimetria acumulada, o vento oceânico é uma variável constante e os últimos quilômetros ao longo da costa cobram o que os primeiros 35km escondem. Foi exatamente nesse cenário que o etíope Esa, seguido pelo compatriota Yihunilign Adane em 2:04:59 e pelo queniano Kalipus Lomwai em 2:05:06, entregou o campo masculino mais rápido já visto no continente africano. Lomwai, que entrou na prova como nome de segundo escalão, saiu com uma melhora de 8 minutos no seu personal best, o tipo de estreia que não se esquece.

No feminino, a prova teve drama real nos últimos 2,2 quilômetros. A etíope Ewnetie Dagnaw liderou do km 5 ao km 40, todos os checkpoints, pace de 3:23/km, construindo o que parecia uma vitória inevitável. No ponto em que o percurso dobra de Mouille Point em direção à Vlei Road, algo aconteceu. Dagnaw não cruzou a linha. O colapso transformou o que seria um sprint decisivo em uma coroação solitária para Dera Dida Yami, 2:23:18, com Mestawut Fikir em 2:23:46 e Waganesh Amare fechando uma varredura etíope completa em 2:23:57. Como o entreesportes já documentou em nossa cobertura da TCS London Marathon 2026, quando Sabastian Sawe atravessou a barreira dos 2 horas em 1:59:30, o atletismo de fundo vive um ciclo de redefinição de limites sem paralelo na história da modalidade.

MASCULINO — TOP 3

PosiçãoAtletaPaísTempoPace
Huseyidin Mohamed EsaEtiópia2:04:552:57/km
Yihunilign AdaneEtiópia2:04:592:57/km
Kalipus LomwaiQuênia2:05:062:58/km

FEMININO — TOP 3

PosiçãoAtletaPaísTempoPace
Dera Dida YamiEtiópia2:23:183:23/km
Mestawut FikirEtiópia2:23:463:24/km
Waganesh AmareEtiópia2:23:573:24/km

Além do cronômetro, havia outra prova acontecendo em Cape Town e ela começou meses antes da largada. A Abbott World Marathon Majors estava em campo para a segunda avaliação oficial da candidatura de Cape Town, processo que exige passar em 104 critérios por dois anos consecutivos. A prova já havia aprovado a etapa 1 em 2024, a primeira maratona africana a fazer isso. A edição de 2025 foi cancelada por ventos extremos que destruíram a estrutura da largada 90 minutos antes do início, interrompendo o processo. A Abbott, em gesto incomum, garantiu estrela provisória a todos os finishers de 2026, que se torna definitiva se Cape Town passar a avaliação deste ano e a decisão final ainda será anunciada formalmente pela organização. O que 2:04:55 no percurso mais ventoso do calendário africano comunica aos avaliadores é difícil de ignorar.

O corredor brasileiro que acompanha o atletismo de fundo sabe que nunca houve um momento como este para correr mais rápido e enxerga na Maratona de Porto Alegre a janela real para melhorar o seu RP. O recorde mundial masculino é 2:00:35, de Kelvin Kiptum, e o feminino é 2:09:56, de Ruth Chepngetich, dois marcos que chegaram em menos de dois anos e redefiniram o que se entende por limite. Na TCS London Marathon 2026, Sabastian Sawe foi além: correu 1:59:30 em condições oficiais e o segundo colocado, Daniel Mateiko, também ficou abaixo das 2 horas, tornando Londres o primeiro dia na história em que dois atletas cruzaram essa barreira na mesma prova. Em Cape Town, Huseyidin Esa demoliu o recorde do percurso em 3 minutos e 21 segundos com 2:04:55, num curso ondulado, com vento oceânico, o que torna o tempo ainda mais expressivo. Porto Alegre é onde o maratonista brasileiro se mede dentro desse contexto: percurso plano, frio, torcida nas ruas, as condições que transformam ambição em cronômetro. O que decide a segunda metade é o que está no pé: a entressola NT-X 2.0 do Corre Turbo devolve energia a cada passada exatamente quando as pernas começam a negociar, entre o km 30 e o 38, o momento em que qualquer maratona se decide de verdade.

O bloco mais estratégico da temporada para o Corre Turbo acontece agora: a Olympikus lançou uma edição especial do modelo para a Maratona Internacional de Porto Alegre Olympikus 2026, consolidando o quarto ano consecutivo de parceria com a prova gaúcha, que nesta edição passa a carregar oficialmente o naming rights da marca. Não é só um lançamento estético. É o reconhecimento de que o Corre Turbo chegou ao nível de tênis oficial de uma das maiores maratonas do Brasil, a mesma estratégia adotada na Maratona Internacional de São Paulo. E para quem quer largar ao lado de Eliud Kipchoge na NB 42K Porto Alegre em julho, o tênis já está testado no percurso mais rápido do Brasil: o Corre Turbo Edição Especial Maratona Internacional de Porto Alegre Olympikus 2026 , disponível a R$ 699,99 na loja oficial no Amazon da Olympikus 

O Corre Turbo é aquele parceiro ideal para os treinos mais intensos. Além de ser muito confortável, ele tem tudo que você precisa para elevar o seu desempenho e bater o seu recorde pessoal.
O Corre Turbo é aquele parceiro ideal para os treinos mais intensos. Além de ser muito confortável, ele tem tudo que você precisa para elevar o seu desempenho e bater o seu recorde pessoal.

FICHA TÉCNICA — Maratona Internacional de Porto Alegre Olympikus 2026

ItemDetalhe
Nome oficialMaratona Internacional de Porto Alegre Olympikus 2026
Edição41ª
Data30 e 31 de maio de 2026
LocalPorto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Largada — MaratonaAv. Diário de Notícias, 300 — BarraShoppingSul
Chegada — MaratonaBarraShoppingSul
PercursoOrla do Guaíba, Centro Histórico, Mercado Público Municipal, Rota do Papa, Beira-Rio
Altimetria14 metros — percurso mais plano e rápido do Brasil
Horário de largada6h00 (maratona)
Distâncias5km, 10km, 21km (meia maratona), Desafio Gaúcho e 42,195km (maratona)
Participantes30.000 — vagas esgotadas
Concluintes 42km em 202519.670 — maior da história do evento
HomologaçãoWorld Athletics, AIMS, CBAt
PremiaçãoR$ 1.000.000+
Tênis oficialOlympikus Corre Turbo Edição Especial — R$ 699,99
Naming rightsOlympikus (4º ano consecutivo)
Expo da prova27 a 30 de maio — BarraShoppingSul
OrganizadorCORPA — Clube de Corredores de Porto Alegre
Site oficialmaratonadeportoalegre.com.br

A New Balance 42K Porto Alegre acontece em 12 de julho de 2026 

E Kipchoge estará na largada. Será a segunda vez que o queniano corre em solo brasileiro: a primeira foi a maratona olímpica do Rio 2016, onde cruzou a linha em 2:08:44 com aquela precisão cirúrgica que o separou do resto do campo desde a marca dos 35km. Dez anos depois, o corredor que mudou o que se entende por possível numa maratona volta ao Brasil num contexto completamente diferente. Não é mais o atleta que caça recordes, é o atleta que escolheu o Brasil como palco da etapa sul-americana de um projeto de vida. A NB 42K Porto Alegre chega à terceira edição com percurso redesenhado: largada no Monumento ao Expedicionário, chegada no Parque Harmonia, apenas 20 metros de altimetria acumulada nos 42,195km. Plano, certificado por AIMS e World Athletics, frio de inverno gaúcho, temperaturas entre 3°C e 12°C na manhã de julho. Para performance de maratona, frio e plano é combinação rara no Brasil. Porto Alegre, cidade que entende de vento sul e de atletismo sério, vai receber Kipchoge como destino esportivo. Não como pano de fundo, como protagonista.

FICHA TÉCNICA — New Balance 42K Porto Alegre 2026

ItemDetalhe
Nome oficialNew Balance 42K Porto Alegre 2026
Edição
Data12 de julho de 2026 (domingo)
LocalPorto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Largada — MaratonaMonumento ao Expedicionário — Av. José Bonifácio, 245 (Parque da Redenção)
Chegada — MaratonaParque Harmonia — Av. Loureiro da Silva, 255
Largada — 5km / 10km / 21kmParque Harmonia
HoráriosMaratona elite e geral: 7h00 / Meia e 10km: 7h00 / 5km: 7h30
Distâncias5km, 10km, 21,097km (meia maratona) e 42,195km (maratona)
Altimetria20 metros acumulados — percurso plano
ParticipantesAté 15.000 corredores
HomologaçãoAIMS, World Athletics (Elite Label), CBAt (Permit Ouro)
Premiação garantidaR$ 549.000 — 1º lugar: US$ 15.000 / Melhor brasileiro/a: R$ 50.000
Bônus recordeAté R$ 600.000 para quebra de recorde nacional ou sul-americano
Premiação total possívelR$ 1.149.000
OrganizadorRun Sports / Ticket Sports
Atleta convidadoEliud Kipchoge — etapa sul-americana do Eliud’s Running World
Site oficialnewbalance.com.br/corrida-nb-42k-poa

Enquanto Cape Town reescrevia a história africana da maratona, Lima acordava antes do sol.

A Maratona adidas Rímac Lima 42K 2026, Elite Label Road Race pela World Athletics, largou na Avenida Larco, em Miraflores, com os malecões ainda na penumbra e milhares de corredores em cinco ondas. O keniano John Mburu Muiruri, 35 anos, ganhou com 2:10:21 e pace de 3:05/km, mas por margem que não se mede em tempo, em suspense. Seu compatriota Michael Kimani chegou dois segundos atrás, 2:10:23, mesmo ritmo, mesma estratégia, resultado diferente por uma batida de pé. O pódio masculino foi todo queniano, com Kenneth Keter fechando em 2:11:32. O Peru teve dois atletas nos cinco primeiros: Walter Nina Ñaupa, de Puno, em 4º com 2:11:58, e Ferdinand Cereceda Rodríguez, de Junín, em 5º com 2:12:12, o tipo de resultado que alimenta gerações. No feminino, a etíope Aberash Robi venceu em 2:27:30, pace de 3:30/km, mas a história da corrida feminina pertence à peruana Sheyla Eulogio Paucar, 28 anos, de Junín: cruzou em 2:27:32. Dois segundos. Em 42 quilômetros, dois segundos separam o título do vice-campeonato.

MASCULINO — Lima 42K 2026

PosiçãoAtletaPaísTempoPace
John Mburu MuiruriQuênia2:10:213:05/km
Michael KimaniQuênia2:10:233:05/km
Kenneth KeterQuênia2:11:323:06/km

FEMININO — Lima 42K 2026

PosiçãoAtletaPaísTempoPace
Aberash RobiEtiópia2:27:303:30/km
Sheyla Eulogio PaucarPeru2:27:323:30/km
Verónica MainaQuênia[VERIFICAR]

24 de maio de 2026 foi isso: Cape Town destruindo recordes sob a Table Mountain, Lima entregando drama nos malecões de Miraflores, e Kipchoge escolhendo o Brasil como próxima parada de um projeto que vai muito além do cronômetro. O calendário do atletismo de fundo não para e Porto Alegre, em julho, vai receber o maior maratonista da história num percurso plano, no frio do inverno gaúcho, com a NB 42K como palco.

Quem acompanha o entreesportes sabe o que isso significa: não é uma prova qualquer no calendário. É o tipo de largada que define temporadas.

entreesportes.

FICHA TÉCNICA — Sanlam Cape Town Marathon 2026

ItemDetalhe
Nome oficialSanlam Cape Town Marathon 2026
Edição32ª
Data24 de maio de 2026
LocalGreen Point, Cidade do Cabo, África do Sul
Distância42,195km
Largada/ChegadaDHL Stadium, Green Point
Participantes27.000 corredores
Recorde masculino2:04:55 — Huseyidin Mohamed Esa (ETI) — 2026
Recorde feminino anterior2:22:22 — Glenrose Xaba — 2024
Status WMMCandidata — avaliação Stage 2 em andamento
Site oficialcapetownmarathon.com

FICHA TÉCNICA — Maratona adidas Rímac Lima 42K 2026

ItemDetalhe
Nome oficialMaratona adidas Rímac Lima 42K 2026
Data24 de maio de 2026
LocalMiraflores, Lima, Peru
LargadaAvenida Larco
ChegadaMiraflores
SeloWorld Athletics Elite Label Road Race
Site oficialmegafinisher.com