Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina, será palco da Rio do Rastro Marathon- Foto: Thiago Kaue/Secom

Rio do Rastro Marathon 2026: a ultramaratona de estrada mais difícil do Brasil começa onde o asfalto vira montanha

Maratona

Existe uma estrada em Santa Catarina que, antes de ser percurso de prova, já é, por si só, um dos maiores espetáculos naturais e de engenharia do Brasil. A Serra do Rio do Rastro não precisa de medalha para impressionar. Ela impressiona antes da largada, na descida do carro, quando o atleta olha para cima e enxerga onde vai ter que ir. São 284 curvas esculpidas na encosta da Serra Geral, vencendo um desnível de 1.200 metros em pouco mais de 7 km de subida, entre paredões de Mata Atlântica, cachoeiras e neblina que surge do nada. No sábado e no domingo, 16 e 17 de maio, esse percurso recebe corredores que escolheram a prova mais dura do calendário nacional de ultramaratona em estrada e que sabem exatamente o que estão fazendo lá.

A Rio do Rastro Marathon acontece em dois dias, com largadas em cidades diferentes e chegada sempre no mesmo ponto: o Mirante da Serra do Rio do Rastro, em Bom Jardim da Serra, a 1.460 metros de altitude. No sábado, a prova de 25km larga às 7h da Praça Henrique Lage, em Lauro Müller, pé da serra, 200 metros de altitude e sobe. No domingo, o 42km larga às 6h30 do Paredão de Orleans, com altimetria acumulada de 2.400 metros e tempo máximo de prova para quem decide enfrentar os dois dias combinados: o 37k Portal do Guardião (25k+12k) e o 67k Missão dos Guardiões (25k+42k), a combinação que transforma dois dias de prova numa única jornada de ultramaratona real. A serra fecha para carros às 6h de cada dia, não há como chegar atrasado.

Quem vai para a Rio do Rastro Marathon e pega dois ou três dias antes da prova para explorar a região entende por que a serra catarinense é um destino que transforma a forma de ver o Brasil. Urubici, a cerca de 70 km do topo da Serra do Rio do Rastro, é uma das regiões mais frias do país, o Morro da Igreja, a 1.822 metros de altitude, registrou extraoficialmente -17,8°C em junho de 1996, a menor temperatura já documentada em território brasileiro. No caminho para Urubici, a SC-370 passa pela Serra do Corvo Branco, onde um paredão de arenito de 90 metros de profundidade, o maior corte em rocha arenítica do Brasil, divide a estrada em dois e revela 160 milhões de anos de história geológica numa única parede. O mesmo arenito que alimenta o Aquífero Guarani. A região entre Lauro Müller, Urubici e Bom Jardim da Serra é um dos roteiros mais completos do sul do Brasil para quem chega correndo e vai embora descobrindo.

A Serra do Rio do Rastro é a espinha dorsal de toda a prova e entender o que ela faz com o corpo do atleta é diferente de simplesmente olhar o perfil altimétrico. A subida começa suave nos primeiros quilômetros e endurece progressivamente nas curvas fechadas da SC-390, onde a inclinação muda de forma brusca e o ritmo de corrida deixa de existir para a maioria dos atletas. Quem tenta manter pace na subida da Serra paga um preço muito alto nos quilômetros finais. O que funciona é gestão, andar rápido nas rampas mais íngremes, correr nos trechos que permitem, e chegar no mirante com algo ainda nos pés. O desnível de 2.400 metros acumulado no 42km coloca essa prova numa categoria que pouquíssimas ultramaratonas de estrada no mundo alcançam em termos de exigência cardiovascular e muscular. 

A previsão do tempo para o fim de semana da prova é o dado que separa quem montou o kit com inteligência de quem vai improvisar no km 15. Em Lauro Müller largada do 25km; sábado tem máxima de 19,8°C com 35% de chance de chuva; domingo sobe para 21,9°C com 35% de precipitação. No topo da Serra, em Bom Jardim da Serra, os números contam uma história completamente diferente: sábado com máxima de apenas 14,9°C e 20% de chuva; domingo com máxima de 16,6°C e 40% de precipitação.

A diferença entre a largada e a chegada pode facilmente passar de 10°C e isso não é detalhe, é variável de prova. Quem larga em Lauro Müller com sensação de calor vai encontrar vento cortante e neblina no topo da Serra do Rio do Rastro. A serra catarinense é uma das regiões mais frias do Brasil, Urubici, a poucos quilômetros dali, registrou extraoficialmente -17,8°C num junho de 1996, e maio já marca o início da transição para o inverno serrano. Corta-vento não é item opcional aqui. É o que fica entre você e uma hipotermia progressiva que começa suave e cobra caro nos últimos quilômetros. Leve na mochila desde a largada, pode amarrar na cintura se esquentar, mas não pode deixar em casa. Para esse perfil de prova, o corta-vento que o entreesportes indica é leve o suficiente para não pesar no kit e resistente o suficiente para o vento da altitude. Garanta o seu antes de largar.

A jaqueta corta vento de Márcio May Race é fabricada em poliéster resistente à água, além de proteger do vento e do frio, oferece proteção UV, ajudando a proteger os raios solares nocivos
A jaqueta corta vento de Márcio May Race é fabricada em poliéster resistente à água, além de proteger do vento e do frio, oferece proteção UV, ajudando a proteger os raios solares nocivos

A prova tem cinco modalidades que atendem perfis completamente diferentes, mas nenhuma delas é fácil. O Desafio 12km é a porta de entrada para quem quer sentir a Serra sem se comprometer com a subida inteira: larga do Mirante 12, já dentro da SC-390, e sobe até o topo com tempo máximo de 3h59. É uma prova curta só no nome, 12km com a Serra do Rio do Rastro debaixo dos pés não é iniciante. O 25km é a espinha dorsal do evento: larga do pé da Serra em Lauro Müller, a 200 metros de altitude, e sobe tudo, cada uma das 284 curvas, cada metro dos 1.200m de desnível, até o mirante. Tempo máximo de 3h59. O 42km inverte a lógica: larga no domingo de Orleans, atravessa o Paredão e sobe a Serra por um percurso diferente, com 2.400m de desnível acumulado ao longo do dia. É onde a prova mais se aproxima do que o mundo das ultramaratonas reconhece como categoria de exigência extrema. Os dois desafios combinados são para um perfil específico de atleta. O 37km Portal do Guardião junta o 25km do sábado com o 12km do domingo, dois dias, dois percursos, uma única classificação. O 67km Missão dos Guardiões é o mais exigente: 25km no sábado mais o 42km no domingo, totalizando 67km e o desnível acumulado mais alto do evento. Não é ultramaratona de trilha com técnica de solo é ultramaratona de estrada com altimetria que a maioria das provas de montanha não alcança. Quem completa a Missão dos Guardiões entra numa lista pequena.

O tênis que vai debaixo do pé nessa subida importa mais do que em qualquer outra prova do calendário nacional. A Serra do Rio do Rastro é asfalto, mas é asfalto com 1.200m de desnível positivo, umidade constante, neblina que muda a temperatura em minutos e descidas que destroem qualquer solado que não foi construído para impacto repetido em rampa. Como o entreesportes já analisou em nossa análise completa da linha Corre da Olympikus, a Olympikus construiu modelo a modelo uma resposta técnica real para o corredor brasileiro e o Corre Supra 2 é onde essa construção chega no ponto mais alto: entressola com tecnologia de retorno de energia para sustentar o ritmo nas rampas, amortecimento que protege as articulações nas descidas longas e um upper que segura o pé sem apertar quando o volume de subida começa a inchar os dedos. Para quem vai encarar os 25km ou o 67km da Serra, é o tênis que respeita o percurso. Garanta o seu.

O primeiro super tênis criado no Brasil ganhou uma versão ainda melhor. O Corre Supra 2 é a escolha ideal para quem não tem medo de chegar ao limite - e ir além dele.
O primeiro super tênis criado no Brasil ganhou uma versão ainda melhor. O Corre Supra 2 é a escolha ideal para quem não tem medo de chegar ao limite - e ir além dele.

O fechamento da Serra para o trânsito particular é o detalhe operacional que mais impacta a experiência de quem não conhece a prova. A rodovia SC-390 é fechada às 6h de cada dia, no sábado e no domingo e só reabre após a passagem do último atleta, prevista por volta do meio-dia. Isso significa que acompanhantes, familiares e equipes de apoio precisam estar posicionados antes desse horário ou subir pelos serviços de translado da organização. Quem não planejou isso com antecedência pode ficar do lado errado da montanha na hora crucial. A organização disponibiliza translado saindo de Orleans ao lado do Centro de Eventos Galiano Zomer pelo valor de R$140,00 por pessoa por trecho para os atletas da modalidade 12km, esse serviço é gratuito e exclusivo, com saída às 6h em ponto.

Bom Jardim da Serra, no topo da Serra, é onde a prova se encerra e onde o atleta explorador vai querer ficar mais tempo. A cidade oferece o tipo de gastronomia serrana que o corredor esgotado merece depois de 1.200 metros de subida: fondue, massas artesanais, vinhos de altitude e a vista da Serra Geral abrindo para o litoral em dias claros. Quem prolonga a estadia e desce pela SC-370 para Urubici encontra as cachoeiras do Vale do Rio Canoas, os paredões da Serra do Corvo Branco e a atmosfera de cidade pequena da “Suíça Catarinense”, aquela que tem neve registrada no inverno, produz hortaliças em escala industrial e guarda um dos registros de frio mais extremos já documentados no Brasil continental. É o tipo de região que o turismo convencional ainda não descobriu de verdade, mas que o corredor que chega pela Serra do Rio do Rastro já conhece por dentro.

A Rio do Rastro Marathon é exatamente o tipo de prova que o atletismo de rua convencional não consegue oferecer. Não é trail, o percurso é em estrada. Não é maratona tradicional, o desnível não existe em nenhuma maratona de rua do calendário nacional. É uma categoria própria, que une a exigência física de uma ultramaratona com o espetáculo visual de uma das estradas mais impressionantes do planeta. Quem completou não esquece. Quem ainda vai correr já sabe que vai voltar.

entreesportes.

Retirada de kits no Centro de Eventos Galiano Zomer, Rua Rui Barbosa, 360, Centro de Orleans/SC. Sexta-feira 15/05 das 9h às 19h para todas as modalidades. Sábado 16/05 das 10h às 18h exclusivo para 42k e 12k. Todas as informações em riodorastromarathon.com.br.

Ficha Técnica — Rio do Rastro Marathon 2026

ItemDetalhe
Nome oficialRio do Rastro Marathon 2026
DataSábado 16 e Domingo 17 de maio de 2026
Retirada de kitSex 15/05 das 9h–19h · Sáb 16/05 das 10h–18h (42k e 12k) — Centro de Eventos Galiano Zomer, Orleans/SC
Distâncias25 km · 42 km · 12 km · 37 km (25k+12k) · 67 km (25k+42k)
Largada 25kmSáb 16/05 às 7h — Praça Henrique Lage, Lauro Müller/SC
Largada 42kmDom 17/05 às 6h30 — Paredão de Orleans, Orleans/SC
Largada 12kmDom 17/05 às 7h20 — Mirante 12, SC-390 km 12, Lauro Müller/SC
ChegadaMirante da Serra do Rio do Rastro — Bom Jardim da Serra/SC (1.460m)
Desnível positivo+2.400 m acumulado
Fechamento da SerraSáb e Dom às 6h — reabre após passagem do último atleta (prev. 12h)
TransladoR$ 140,00 por pessoa/trecho — saída Orleans · 12km gratuito para inscritos
Previsão SábadoLauro Müller: máx 19,8°C · 35% chuva · Bom Jardim: máx 14,9°C · 20% chuva
Previsão DomingoLauro Müller: máx 21,9°C · 35% chuva · Bom Jardim: máx 16,6°C · 40% chuva
Site oficialriodorastromarathon.com.br